
Antália, Turquia, 11 abr 2025 (Lusa) – O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou hoje Israel de barbárie após mais um ataque mortÃfero na Faixa de Gaza e de “dinamitar a revolução” sÃria ao promover divisões no paÃs desde a queda do regime de Bashar al-Assad.
Em declarações num fórum diplomático em Antália, no sul da Turquia, Erdogan referiu-se a Israel como um “paÃs problemático” e um “Estado terrorista” com as suas operações militares contra os paÃses vizinhos do Médio Oriente.
“Israel põe em risco a estabilidade da região, especialmente com os seus ataques contra o LÃbano e a SÃria. Estes ataques também dificultam a luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico”, declarou.
O lÃder turco acusou as autoridades israelitas de “aumentar as diferenças étnicas e religiosas” na SÃria para incitar as minorias a rebelarem-se contra as novas autoridades de Damasco e deste modo “dinamitar a revolução” no paÃs.
“Não podemos perder a oportunidade que esta revolução nos oferece de alcançar a estabilidade”, afirmou, antes de referir que a Turquia é “um dos paÃses que tem vindo a pagar o preço” pela crise no paÃs vizinho e não permitirá esta situação.
Israel está “a tentar minar a revolução de 08 de dezembro inflamando as diferenças étnicas e religiosas na SÃria e incitando as minorias do paÃs a oporem-se ao Governo”, disse o chefe de Estado turco, referindo-se à data da deposição do anterior regime e observando que “o povo sÃrio está cansado de sofrimento, opressão e guerra”.
Na mesma linha, avisou que “o silêncio perante os massacres de Israel” equivale a cumplicidade, dando o exemplo do ataque na última noite em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, que, segundo a Defesa Civil do território palestiniano, matou dez pessoas da mesma famÃlia.
“Esta mesma manhã, dez pessoas, incluindo sete crianças, da mesma famÃlia, foram martirizadas em Khan Yunis. Se isto não é barbárie, o que é?” declarou Erdogan, reiterando a acusação de “genocÃdio contra o povo palestiniano, negando-lhe os seus direitos mais básicos”.
Os comentários de Erdogan surgem dois dias depois de conversações técnicas no Azerbaijão entre a Turquia e Israel, com o objetivo de evitar o risco de escalada na SÃria, onde as forças israelitas permanecem em posições tomadas no final do ano passado no sul do paÃs.
O mesmo acontece no LÃbano, onde as forças israelitas continuam a ocupar partes que consideram estratégicas para a defesa do seu território no sul do paÃs e a bombardear alvos do Hezbollah, em violação do acordo de cessar-fogo com o movimento xiita libanês, ao memo tempo que retomaram as operações militares na Faixa de Gaza, quebrando a trégua no território com o grupo islamita palestiniano Hamas.
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