
Maputo, 28 mar 2025 (Lusa) – Moçambique produz 4,2 milhões de toneladas de resÃduos anualmente, mas apenas 1% são reciclados, por redes informais, cenário que o Governo quer inverter com um projeto de 24 milhões de euros, investindo em três infraestruturas de reciclagem.
“No nosso paÃs, a rápida urbanização, combinada com o aumento da atividade económica, levou a um crescimento substancial dos volumes de resÃduos”, reconheceu o secretário de Estado da Terra do Ambiente de Moçambique, Gustavo Dgedge, ao apresentar hoje, em Maputo, a segunda fase do programa ValoRe, que vai decorrer até 2029.
“Hoje, estimamos que em Moçambique se gera pelo menos 4,2 milhões de toneladas de resÃduos por ano, sendo que mais de 98 a 99% desses resÃduos estão depositados em lixeiras não controladas, enquanto os restantes 1 a 2% são reutilizados, reciclados, através das redes informais”, disse.
Estes resÃduos atingem um recorde na cidade de Maputo, com cerca de meio quilograma produzido diariamente por cada habitante da capital, que na sua generalidade são queimados em lixeiras, explicou a diretora nacional do Ambiente, Guilhermina Amurane, na mesma cerimónia.
“Com este programa, queremos que só vá para o aterro aquilo que não tem valor (…). Este programa vai pagar um valor por tonelada residúdio recolhida para valorização”, explicou Amurane, garantindo que vai igualmente “dar emprego a quem vive do lixo” atualmente.
O programa de gestão sustentável de ResÃduos ValoRe foi lançado pelo Governo moçambicano em 2019 para aumentar a quantidade de resÃduos urbanos reutilizados, reciclados ou tratados no paÃs.
A nova fase, que inclui um financiamento de 18,4 milhões de euros do fundo climático Mitigation Action Facility — financiado pelo Reino Unido, Alemanha e União Europeia -, vai permitir criar um “ambiente regulatório e financeiro” para investimentos em infraestruturas sustentáveis de tratamento e reciclagem de resÃduos, bem como de cadeias de valor para promover a recuperação e reaproveitamento, recorrendo anda a parcerias público-privadas.
“As infraestruturas serão construÃdas, nesta primeira fase, nos municÃpios de Nampula, Nacala e Pemba, assumindo o papel de pioneiros que deverão, posteriormente, transmitir as suas experiências durante a fase de expansão para outros municÃpios do paÃs”, explicou Gustavo Dgedge.
Em Pemba, provÃncia de Cabo Delgado, a construção da infraestrutura de reciclagem será garantida com 3,7 milhões de euros do Orçamento do Estado moçambicano, e em Nacala e Nampula, na provÃncia de Nampula, pelo financiamento europeu de 18,4 milhões de euros. Há ainda uma componente de dois milhões de euros da Agência Belga de Desenvolvimento (Enabel), que também suporta esta nova fase do programa, neste caso para promoção de separação resÃduos na origem nas duas cidades de Nampula.
As três infraestruturas de reciclagem vão empregar diretamente 110 trabalhadores, entre 3.915 pessoas beneficiadas diretamente.
O projeto beneficiará indiretamente cerca de 1.680 catadores, microempreendedores e membros de associações e organizações comunitárias envolvidas na reciclagem, permitindo reduzir emissões de 89.708 toneladas de dióxido de carbono até 2029.
“Irá apoiar o Governo de Moçambique na abordagem dos desafios associados à gestão de resÃduos de solos urbanos, através de uma intervenção abrangente e ambiciosa com o objetivo final de construir uma economia circular, a partir de investimentos em instalações integradas de tratamento e eliminação de resÃduos, aqui falamos de instalações de valorização de materiais e aterros sanitários, instalação de compostagens nestes três municÃpios”, destacou o governante.
Por outro lado, sublinhou que os resÃduos, “quando encontram um mecanismo de gestão eficaz, mediante uma ação coordenada de diversos intervenientes, deixam de constituir um problema” para os municÃpios, transformando-se em “oportunidades de investimento”.
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