
Varsóvia, 27 mar 2025 (Lusa) – O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, incentivou hoje Portugal e os Estados-membros ainda abaixo dos 2% do PIB nos seus gastos em defesa a ultrapassar esta fasquia no próximo verão, avisando que a organização precisa coletivamente de muito mais.
Durante um colóquio realizado na Escola de Economia de Varsóvia, o dirigente da Aliança Atlântica afirmou que Espanha, entre outros paÃses europeus, pretende alcançar aquela meta no verão, conforme o compromisso acordado pelos Estados-membros, que ganhou destaque com a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e com a chegada do republicano Donald Trump à liderança da Casa Branca.
Nesse sentido, Mark Rutte observou, citado pela agência EFE, que outros paÃses, como Portugal e Itália, também estão a fazer este debate e incentivou-os a atingir a marca dos 2% até ao verão.
O objetivo é conseguir ultrapassar coletivamente esse limite consideravelmente, alertou, uma vez que é necessário “gastar muito, muito mais do que 2%”.
Segundo estimativas da NATO relativas a 2024, Portugal apresentava apenas gastos do PIB em defesa de 1,55% e era um dos oito paÃses da organização abaixo dos 2% acordados.
Na sua intervenção de hoje na capital polaca, o antigo primeiro-ministro dos PaÃses Baixos avisou que não são apenas os aliados orientais da NATO que estão ameaçados por Moscovo, justificando que, “com a mais recente tecnologia de mÃsseis da Rússia, a diferença entre um ataque a Varsóvia e um ataque a Madrid é de dez minutos”.
“Portanto, estamos todos no flanco leste: Amesterdão está no flanco leste, Londres está no flanco leste, até Washington está no flanco leste”, declarou.
O secretário-geral da NATO mencionou a vontade de Espanha e de outros paÃses de atingir em breve 2% do PIB em despesas de defesa como reação à tomada de posse de Donald Trump nos Estados Unidos e à mudança da abordagem de Washington ao conflito na Ucrânia.
“Sim, há alguns paÃses que ainda não atingiram os dois por cento. Gostava de poder dizer que desde que assumi o cargo, em 01 de outubro, as coisas começaram a mudar. Mas isso não é verdade. Algo aconteceu em 20 de janeiro nos Estados Unidos, e vejam o que aconteceu depois”, comparou, em alusão à data de posse de Trump, que, no passado, exigiu aos aliados um mÃnimo de 5% do PIB das suas despesas militares.
Fontes do Governo espanhol afirmaram hoje que Espanha está “a trabalhar para atingir o compromisso de 2% o mais rapidamente possÃvel”, segundo a agência EFE, mas sem assumir ainda nenhum compromisso concreto.
Rutte comentou ainda que “não são os Estados Unidos que estão a obrigar os europeus a gastar mais na sua defesa, mas sim a Rússia”, que provocou a atual situação de insegurança com o seu “ataque irrefletido” à Ucrânia em 2022.
Em referência à s exigências de Washington para que os seus aliados da NATO aumentem os seus investimentos em defesa, Rutte afirmou que “a Europa deve estar ciente de que o ‘Tio Sam’ a apoia, mas Washington também deve saber que os aliados da NATO estão à altura da tarefa: é justo”.
Durante uma visita do secretário-geral da NATO a Lisboa em 27 de janeiro, o primeiro-ministro, LuÃs Montenegro, afirmou que Portugal está disponÃvel para antecipar “ainda mais” o calendário que prevê que o paÃs atinja um investimento de 2% do PIB em defesa, que estava previsto para apenas ocorrer em 2029.
O chefe do Governo explicou que o prazo para Portugal atingir o objetivo dos 2% – que, logo em seguida, o secretário-geral da NATO considerou insuficiente — iria depender de uma ‘task force’ criada entre os ministério dos Negócios Estrangeiros, Defesa Nacional, Economia e Finanças, e que poderia ainda ser alargada “a outras áreas da governação”.
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