
Porto, 24 mar 2025 (Lusa) — As exportações portuguesas de calçado aumentaram 8,2% em janeiro, em termos homólogos, para 161 milhões de euros, prevendo as empresas uma melhoria dos negócios no primeiro trimestre deste ano, avançou hoje a associação setorial APICCAPS.
De acordo com o último Boletim Trimestral de Conjuntura da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), “quase metade das empresas (47%) acreditam que o estado dos negócios será satisfatório, sendo que um quarto prevê mesmo que será bom”.
Já quando chamadas a comparar o estado de negócios esperado para o primeiro trimestre deste ano com o do mesmo perÃodo de 2024, o número de empresas que acreditam que será melhor é superior à s que julgam o contrário (saldo de resposta extremo (s.r.e.) de +6 pontos percentuais), denotando uma tendência de melhoria da conjuntura”, refere a associação.
Editado pela APICCAPS com a Universidade Católica do Porto, o boletim de conjuntura evidencia ainda que “as expectativas das empresas quanto ao estado dos negócios estão positivamente relacionadas com a sua dimensão, sendo claramente positivas entre as grandes e muito grandes empresas (s.r.e. de 36 e 25 pontos percentuais, respetivamente)”.
Relativamente à s limitações previstas para o primeiro trimestre deste ano, a associação diz serem “muito semelhantes à s que as empresas sentiram no final de 2024”, sendo que “a maior diferença prende-se com o aumento das dificuldades relacionadas com legislação fiscal, que 18% das empresas preveem enfrentar, quando apenas 13% dizem tê-las sentido no trimestre transato”.
Embora menos frequentes (9%), as referências a dificuldades relacionadas com a legislação laboral também registam um aumento face ao final de 2024.
Ao nÃvel do mercado, apura-se “um pequeno acréscimo nas referências à escassez de encomendas de clientes estrangeiros (de 63% para 65%), mas um igualmente pequeno decréscimo nas que são feitas à escassez de encomendas de clientes nacionais (de 47% para 44%)”.
Quanto aos fatores de produção, observa-se “um ligeiro crescimento das preocupações” com o preço e abastecimento de matérias-primas (de 34% para 35%) e uma diminuição das referências a escassez de mão-de-obra qualificada (de 13% para 12%).
Citado num comunicado, o presidente da APICCAPS diz continuar a viver-se “um momento de grande incerteza, seja de geoestratégia ou mesmo de cariz conjuntural, que penaliza, naturalmente, os setores altamente exportadores como o calçado”.
Ainda assim, LuÃs Onofre salienta que “os últimos meses foram já de recuperação para o setor, que exporta mais de 90% da sua produção”, sendo a expectativa que seja possÃvel “consolidar este registo nos próximos meses, que ainda assim serão duros face ao contexto externo”.
“As empresas estão a fazer o seu trabalho de casa, investindo no reforço da capacidade produtiva ou no processo de internacionalização”, destaca o dirigente associativo, apelando para que “o Estado faça o mesmo”.
“Precisamos de estabilidade polÃtica, de um Governo capaz de colocar o crescimento económico como desÃgnio nacional, colocando ao serviço das empresas todos os instrumentos financeiros, como o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] ou o Portugal 2030, para relançamento da atividade exportadora”, enfatiza.
Para a APICCAPS, motivo de “particular preocupação” é “o facto de os principais mercados europeus – tão fundamentais para a indústria portuguesa de calçado – continuarem a demonstrar um desempenho pouco dinâmico”.
Depois de um crescimento homólogo das exportações de 14% no último trimestre de 2024, no inÃcio de 2025 as vendas do setor do calçado ao exterior mantiveram a tendência positiva, com os dados mais recentes do Instituto Nacional de EstatÃstica (INE) a apontarem para um total de sete milhões de pares de calçado exportados em janeiro, no valor de 161 milhões de euros, o que representa um crescimento de 8,2% face ao mesmo mês do ano anterior.
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