
Lisboa, 23 mar 2025 (Lusa) — A coordenadora nacional do BE justificou hoje o regresso dos fundadores do partido à s listas para as legislativas antecipadas com a complexidade do atual momento polÃtico, em Portugal e no mundo, que deve mobilizar a esquerda.
“A escolha das listas do BE e a decisão de convocar fundadores para fazerem parte das listas não tem a ver com o BE por si só. Tem a ver com a esquerda. Tem a ver com a nossa capacidade para convocar várias gerações de ativistas de esquerda, de experiência de esquerda, para enfrentar um momento histórico que é complexo, que é desafiante e não é só para o BE. É desafiante e complexo para o paÃs. Há uma crise social em curso”, justificou Mariana Mortágua.
A bloquista falava aos jornalistas após a reunião da Mesa Nacional, órgão máximo do partido entre convenções, que aprovou hoje os primeiros candidatos à s eleições legislativas antecipadas de maio, com destaque para o regresso de três históricos do partido: Francisco Louçã (que vai encabeçar a lista por Braga), Fernando Rosas (por Leiria) e LuÃs Fazenda (Aveiro).
Mortágua, que volta a liderar a lista do partido pelo cÃrculo eleitoral de Lisboa, afirmou que o BE pretendeu juntar “novas e velhas gerações”, convocando “toda a experiência, toda a energia para fazer esta campanha eleitoral” num momento em que “a extrema-direita vai avançando” e os “oligarcas ganham poder como nunca tiveram”.
Num contexto em que “o mundo é governando por um eixo de oligarcas que vai de Trump a Putin”, onde foram eleitos em Portugal “50 deputados de extrema-direita” e em que os principais lÃderes europeus defendem uma “escalada militarista”, a coordenadora bloquista antecipou “uma campanha muito difÃcil”.
Recusando estabelecer metas eleitorais, Mortágua defendeu que “o que se exige à esquerda é que saiba compreender o momento em que vive, a seriedade e a importância deste momento polÃtico”.
Mariana Mortágua criticou a corrida ao armamento dos lÃderes europeus ao mesmo tempo que “as pessoas não conseguem pagar a renda da sua casa” e o “hospital está fechado”.
“Este é o momento decisivo. Este é o momento em que a esquerda tem de dizer «venham todos a esta luta». A esquerda tem de apresentar as suas soluções, tem de chegar a todo lado, tem de apresentar o seu programa e é isso que o Bloco de Esquerda vai fazer. E neste momento crucial quisemos chamar todos a esta luta porque queremos e vamos estar à altura do momento que vivemos”, frisou.
Mortágua alertou que estas “não são eleições para cumprir calendário”, insistindo que se trata de um “momento decisivo na história, na sociedade, no paÃs”.
Já sobre a sugestão do candidato presidencial, LuÃs Marques Mendes, de um “acordo de estabilidade” entre PS e PSD após as eleições, Mortágua disse apenas que “é uma ingenuidade” achar que se sai “de pequenos ciclos polÃticos promovendo acordos de regime que deixam tudo na mesma e que portanto mantém a mesma instabilidade”.
Francisco Louçã, LuÃs Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas foram os rostos mais visÃveis da formação do BE, que nasceu em grande parte pela união de três forças polÃticas, já extintas: o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a PolÃtica XXI.
Mais de uma década depois, Rosas, Fazenda e Louçã voltam a integrar listas do BE ao parlamento em distritos nos quais os bloquistas elegeram pela primeira vez em 2009 e que entretanto perderam.
A coordenadora nacional, Mariana Mortágua, será a cabeça de lista por Lisboa, seguida do atual lÃder parlamentar, Fabian Figueiredo, e pelo Porto a aposta volta a ser na deputada Marisa Matias, em Setúbal, Joana Mortágua e em Faro o antigo eurodeputado José Gusmão. O BE aprovou ainda os restantes cabeças de lista para todos os 22 cÃrculos eleitorais.
Nas últimas eleições legislativas, em março do ano passado, o BE elegeu cinco deputados e foi a quinta força polÃtica mais votada com 4,36 % dos votos a nÃvel nacional.
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ARLÂ // VM
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