
Niamey, NÃger, 14 mar 2025 (Lusa) — As autoridades nigerinas deram aos dirigentes de três empresas chinesas 48 horas para deixarem o NÃger, acusando-as de serem responsáveis pela crise de combustÃvel que o paÃs enfrenta há várias semanas.
Uma fonte oficial disse à agência de notÃcias Efe na quinta-feira que a Soraz, a WAPCO e a China National Petroleum Corporation (CNPC) foram acusadas de terem criado “de forma deliberada” a escassez de combustÃvel.
A Sociedade da Refinaria de Zinder (Soraz), que gere a refinaria que opera na região de Zinder, na fronteira com a Nigéria, é detida a 60% pela empresa estatal chinesa CNPC, estando o restante nas mãos do Governo do NÃger.
Uma outra empresa estatal chinesa, a WAPCO é responsável pela gestão do oleoduto de exportação do petróleo bruto do NÃger, enquanto a CNPC opera diretamente os campos petrolÃferos de Agadem.
A escassez de gasolina no NÃger está a obrigar os condutores a enfrentarem longas filas nos postos de abastecimento de combustÃvel do paÃs sem garantia de conseguirem abastecer os veÃculos.
A Soraz fornece à petrolÃfera estatal do NÃger, a Sonidep, entre 23 e 25 camiões de combustÃvel por dia, um valor muito aquém das necessidades nacionais, estimadas em 38 camiões por dia, ou dois milhões de litros, disse um responsável da Sonidep à EFE.
“Apesar dos repetidos e insistentes pedidos de Sonidep para aumentar o número de camiões para 38, a Soraz manteve-se inflexÃvel, movida apenas pelos seus próprios interesses comerciais em detrimento das necessidades fundamentais da população” do NÃger, explicou a mesma fonte.
O responsável acusou as três empresas chinesas de violarem a legislação do NÃger neste setor, que estabelece o objetivo de “garantir que os nigerinos beneficiam da riqueza nacional”.
O NÃger começou a produzir petróleo em 2011 com uma capacidade de produção de 20 mil barris por dia, com sete mil barris destinados ao consumo local e o restante à exportação.
Com o aumento da produção de petróleo bruto, que atingiu os 110 mil barris, o petróleo bruto começou a ser exportado diretamente para o estrangeiro em 2024, através do porto de Sèmè, no vizinho Benim.
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