
Damasco, 08 mar 2025 (Lusa) — O número de civis, maioritariamente da minoria alauita, mortos nos últimos três dias pelas forças de segurança do novo governo da SÃria ultrapassa 560, de acordo com um novo balanço o Observatório SÃrio dos Direitos Humanos.
Segundo aquela Organização Não Governamental (ONG), num comunicado citado pela agência EFE, 568 civis “da minoria alauita” foram assassinados “a sangue frio” nos últimos três dias, principalmente na cidade costeira de Latakia, mas também em Tartus, em Homs e em Amã.
A ONG registou um total de “29 massacres” nos últimos dias de confrontos entre tropas do novo regime de Damasco e insurgentes leais ao ex-Presidente Bashar al-Assad, que qualificou de “a maior vingança coletiva” por parte das tropas ligadas à s novas autoridades do paÃs desde a queda de al-Assad, em 08 de dezembro do ano passado.
Bashar al-Assad pertence à minoria alauita.
Aos 568 civis somam-se mais de 200 combatentes mortos dos dois lados da barricada, em combates nas provÃncias ocidentais da SÃria, ainda de acordo com o Observatório SÃrio dos Direitos Humanos, sediado no Reino Unido, mas com uma ampla rede de colaboradores locais.
Perante esta situação e o massacre de civis, entre os quais mulheres e crianças, a ONG apelou à comunidade internacional para que tome “medidas urgentes e envie equipas especializadas de investigação internacional para documentar as graves violações que afetam civis”.
Além disso, exortou as autoridades de Damasco a que “responsabilizem” as tropas envolvidas nestas ações, considerando que “a impunidade incentiva a repetição de crimes no futuro, algo que ameaça a estabilidade polÃtica e social na SÃria após a queda de al-Assad”.
O novo Governo sÃrio não reconheceu explicitamente os acontecimentos, mas comprometeu-se a tomar medidas legais e responsabilizar qualquer pessoa que tenha cometido “excessos” ou “atos de vingança” contra civis durante as operações militares destinadas a reprimir os focos de insurgência dos grupos ‘pró-Assad”.
Os confrontos eclodiram na quinta-feira, depois de os insurgentes alauitas terem lançado um ataque à s forças de segurança na cidade de Jableh, em Latakia, desencadeando a maior onda de violência na SÃria desde a queda de Bashar al-Assad.
As novas forças sÃrias são compostas em grande parte por ex-combatentes da agora extinta aliança islâmica Hayat Tahrir al-Sham (HTS), o grupo que liderou a ofensiva contra Assad e cujas raÃzes estão na Frente Nusra, uma antiga afiliada da Al-Qaeda na SÃria.
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