
Estocolmo, 19 fev 2025 (Lusa) – O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, considerou hoje que o resultado da guerra na Ucrânia moldará a segurança na Europa nas “próximas gerações”, lutando agora os lÃderes europeus para dar resposta à s iniciativas diplomáticas do Presidente norte-americano, Donald Trump.
“Relativamente à Ucrânia, a Europa e o mundo estão numa encruzilhada. O fim da guerra na Ucrânia vai afetar e moldar a segurança de toda a Europa durante as próximas gerações. Levamos isso muito, muito a sério”, afirmou Kristersson numa conferência de imprensa após consultas do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, com os dirigentes de 19 paÃses.
Questionado por um jornalista sobre o facto de Trump ter chamado “ditador” ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro sueco disse tratar-se de uma classificação “incorreta”.
“O Presidente Zelensky foi democraticamente eleito. Penso que ninguém mais que a Ucrânia deseja eleições, porque elas significarão que há paz na Ucrânia e que eles (os ucranianos) podem novamente gerir o seu paÃs”, prosseguiu Kristersson.
O chefe do executivo sueco sublinhou também a necessidade de a Europa se rearmar.
“Terá de haver um rearmamento espetacular, tanto para dar resposta à s necessidades da Ucrânia como para satisfazer as necessidades europeias, quando houver alguma forma de paz na Ucrânia”, sustentou.
Segundo o Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, é primeiro necessário que a União Europeia (UE) acorde quanto antes uma posição comum sobre a Ucrânia, para impedir que os Estados Unidos e a Rússia a excluam da mesa de negociações de paz.
“Neste momento, o mais importante é encontrar uma posição europeia comum e que a Europa possa sentar-se à mesa das negociações. Caso contrário, existe o risco de os Estados Unidos e a Rússia negociarem passando por cima da Europa e da Ucrânia”, declarou Stubb numa conferência de imprensa, depois de ter falado por videoconferência na reunião de crise com outros lÃderes europeus para hoje convocada por Macron.
Stubb defendeu que “agora é o momento de agir” e que a Europa precisa de manter “a cabeça fria” para oferecer o máximo apoio à Ucrânia e, ao mesmo tempo, exercer a máxima pressão sobre a Rússia.
Para o chefe de Estado finlandês, tanto a reunião de segunda-feira como a de hoje foram importantes para aproximar posições, tendo-se agora acordado que França apresentará em breve um plano sobre o caminho a seguir.
“Esperamos que o plano esteja pronto em breve e que possamos trabalhar nele em conjunto. Chegámos a um consenso, mas agora temos de o passar para o papel”, afirmou.
Quanto à s declarações de Trump culpando a Ucrânia pelo inÃcio da guerra — quando o seu território foi militarmente invadido pela Rússia a 24 de fevereiro de 2022 e é, desde então, palco de um conflito que fez até agora um ainda indeterminado, mas elevado, número de baixas civis e militares -, Stubb afirmou não estar de acordo com o que disse o Presidente norte-americano, vincando que a UE deve deixar claro a Trump quais serão as consequências se o Presidente russo, Vladimir Putin, “levar a sua avante”, ou seja obrigar a Ucrânia a ceder-lhe partes do seu território, já ocupadas pelas forças russas e declaradas “anexadas”.
“Temos de convencer os Estados Unidos de que a Ucrânia não pode perder esta guerra”, insistiu.
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