
Paris, 13 fev 2025 (Lusa) – Mais de vinte paÃses árabes e ocidentais comprometeram-se hoje, em Paris, a trabalhar para ajudar a reconstruir a SÃria e proteger a frágil transição face aos desafios de segurança e à interferência estrangeira.
Pouco mais de dois meses após a queda do Presidente sÃrio Bashar al-Assad, os participantes querem “trabalhar em conjunto para garantir o sucesso da transição no âmbito de um processo liderado pelos sÃrios”, diz a declaração, assinada pela SÃria, os principais paÃses árabes da região, a Turquia, paÃses europeus como a França, a Alemanha, o Reino Unido e a Grécia, e membros do G7 como o Canadá e o Japão.
Os Estados Unidos não assinaram, uma vez que a posição da administração Trump sobre a SÃria ainda não foi decidida, avança a agência France Presse, citando com uma fonte diplomática francesa.
A declaração também se compromete a apoiar o governo de transição sÃrio na luta contra “todas as formas de terrorismo e extremismo”.
O Presidente francês Emmanuel Macron tinha anteriormente apelado à s autoridades de transição sÃrias para que se juntassem à luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, que continua ativo no paÃs.
“A luta contra o Daesh (acrónimo árabe do Estado Islâmico) é uma prioridade absoluta”, afirmou, encorajando Damasco a ter uma ‘parceria estreita’ com a coligação internacional Inherent Resolve, que combate os jihadistas há anos no Iraque e na SÃria.
A declaração final da conferência “testemunha a convicção dos parceiros de que o sucesso da SÃria é do interesse de todos”, congratulou-se o chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot.
“É uma alegria renovar os nossos laços com a SÃria depois de anos de isolamento internacional”, afirmou na abertura da conferência e saudou a presença do seu homólogo sÃrio, Assaad al-Chaibani, que efetuava a sua primeira visita oficial a um paÃs da União Europeia desde a queda histórica do regime de Assad, a 8 de dezembro.
Os paÃses reunidos em Paris querem ver surgir “uma SÃria livre, soberana, unificada e estável”, segundo Barrot, que confirmou que a UE está a trabalhar para um “levantamento rápido” das sanções económicas adotadas contra o regime de Assad.
No final de janeiro, os 27 Estados-Membros da UE chegaram a um acordo de princÃpio sobre o levantamento gradual das sanções, que o novo governo sÃrio liderado pelo antigo lÃder rebelde islâmico Ahmad al-Chareh procura desesperadamente.
“Estas sanções não podem continuar a constituir um obstáculo à recuperação e reconstrução da SÃria”, afirmou Barrot, apelando a um “rápido afluxo de ajuda humanitária” e à facilitação dos “fluxos financeiros e comerciais necessários à reconstrução”.
A ONU estima que a reconstrução do paÃs, devastado por 14 anos de guerra que causaram a morte de mais de 500 mil pessoas e mais de 10 milhões de refugiados e deslocados sÃrios, custará mais de 400 mil milhões de dólares (383 mil milhões de euros).
Os doadores multilaterais e as agências internacionais reuniram-se em Paris de manhã para trabalhar numa “estratégia de coordenação da ajuda internacional”, que até agora tem sido fragmentada.
Barrot apelou também a um “cessar-fogo generalizado em toda a SÃria” e ao “fim da interferência estrangeira”.
“As armas devem ser silenciadas em toda a SÃria, especialmente no norte e nordeste”, onde continuam os combates mortais entre as forças pró-turcas e os curdos sÃrios.
O paÃs de 23 milhões de habitantes é, desde há muito tempo, palco de uma guerra por procuração entre paÃses da região, mas também de outros paÃses (Assad era apoiado pelo Irão e pela Rússia).
O Presidente interino dissolveu o exército de Assad e decretou a integração dos grupos armados num futuro exército nacional.
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