
Porto, 07 fev 2025 (Lusa) — A maioria dos estudantes do ensino superior da academia do Porto inscritos em 2023/2024 ponderam emigrar após a conclusão do curso para paÃses com maior nÃvel salarial, como Reino Unido ou SuÃça, segundo um estudo hoje revelado.
Os principais destinos para os quais os estudantes do ensino superior ponderam emigrar são o “Reino Unido, SuÃça, PaÃses Baixos, Alemanha e Luxemburgo”, conclui um estudo do Centro de Estudos da Federação Académica do Porto (CEFAP) a que a Lusa teve hoje acesso.
Os dados recolhidos pelo CEFAP indicam que mais de 73% dos estudantes inscritos em instituições do Ensino Superior da academia do Porto inscritos no ano letivo 2023/2024 “ponderam emigrar após a conclusão do Ensino Superior para paÃses com maior nÃvel salarial, resultando numa potencial perda lÃquida de 95 mil milhões de euros para o paÃs”.
A amostra teve um total de 375 estudantes e tem uma margem de erro de 5%.
Quase 25% dos estudantes inquiridos tinham a decisão de emigrar tomada e apenas 10% assumiram que iriam permanecer em Portugal.
A maioria dos inquiridos pertencem à chamada classe média.
Os resultados obtidos não diferem com o ciclo de estudos, embora seja mais notória a vontade de emigrar nos estudantes de mestrado.
Com estes dados, a FAP considera que “Portugal corre o risco de perder dois mil milhões de euros por ano com a emigração jovem qualificada”.
O presidente da FAP, Francisco Fernandes, sublinha que a tendência da emigração qualificada verificada nos últimos anos é confirmada com o estudo do CEFAP.
“Estes dados, que confirmam a tendência, foram partilhados com o Governo e partidos polÃticos de forma que, juntos, se chegue a um pacto de regime e se comece a pensar na mudança e em como reter o talento no nosso paÃs”, declarou Francisco Porto Fernandes, destacando que a “sangria de talento em Portugal terá um impacto muito negativo no paÃs e na economia, quer pela quantidade total de potenciais saÃdas, quer pela duração da ausência do paÃs”.
O estudo conclui que 36% dos estudantes aponta para uma saÃda de médio prazo, ou seja, entre cinco a 10 anos, e quase 30% esperam emigrar por um longo perÃodo de tempo, ou seja, de mais de 10 anos.
Apenas 33% pretendem sair por um curto perÃodo de tempo, equivalente a menos de cinco anos.
As principais razões dos estudantes para emigrarem são a busca por “melhoria dos nÃveis salariais e de outras condições de vida”, bem como a “possibilidade de encontrar melhores oportunidades profissionais e de carreira”, ou seja, são razões de natureza económica, associadas ao funcionamento do mercado de trabalho e da economia de Portugal.
Com base no estudo do CEFAP, a FAP avisa que Portugal “pode ter uma perda orçamental lÃquida de cerca de 2,1 mil milhões de euros, por ano, com a emigração de jovens qualificados”.
A provável emigração de 320 mil jovens desta geração – os tais 73% dos estudantes da academia do Porto que consideraram provável emigrar – pode vir a resultar em “perdas lÃquidas de mais de 95 mil milhões de euros para a economia portuguesa, ao longo de 45 ano, ou seja, cerca de 2,1 mil milhões de euros/ano, incluindo 45 mil milhões em receita de IRS, 7 mil milhões em impostos indiretos e 61 mil milhões em contribuições lÃquidas para a Segurança Social”, alerta a FAP.
“O facto de mais de metade dos estudantes querer emigrar vai gerar um paÃs mais pobre, menos inovador, mais envelhecido e com grandes dificuldades ao nÃvel das contas públicas. O impacto irá notar-se a nÃvel demográfico, com o envelhecimento da população, que acentuará o impacto negativo nos domÃnios da inovação e do empreendedorismo e poderá levantar problemas adicionais à sustentabilidade da Segurança Social”, acrescenta.
Entre o total de inquiridos, 72% são do sexo feminino e 26% do sexo masculino, 77% são estudantes, 18% trabalhador-estudante, 4% trabalhadores e 1% desempregados.
CCM // JAP
Lusa/Fim



