
Lisboa, 02 fev 2025 (Lusa) – A dor nas articulações tão frequente nos idosos é tratada pelo fisioterapeuta, que pode acelerar a recuperação quando consegue combinar atividade fÃsica/exercÃcios de fisioterapia com uma nutrição que regenere e mantenha a massa muscular ou outras terapias.
Em Portugal existe uma elevada prevalência da dor musculoesquelética (dor das articulações) entre os idosos, conhecida como a chamada ‘dor nas costas’, e os fisioterapeutas têm aà um papel essencial, destacou o fisioterapeuta Pedro Casaquinha, que desde 2007 trabalha em centros de saúde e atualmente na Unidade Local de Saúde (ULS) Viseu Dão-Lafões, com muitos utentes idosos.
A grande variação na idade e género dos problemas de dor musculoesquelética é retratada em estudos da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, que dá como exemplo a dor do joelho por osteoartrite extremamente comum no idoso – afetando mais do que uma em cada três pessoas com mais de 60 anos – e pouco comum nos jovens, e os distúrbios envolvendo os músculos mastigatórios e estruturas associadas (disfunção da articulação temporomandibular) que entram em declÃnio após os 45 anos de idade.
A combinação de uma boa nutrição com atividade fÃsica, indicada ou não por fisioterapeuta, acelera significativamente a recuperação muscular, defende o nutricionista Diogo Catita das residências Montepio de Lisboa e Vale do Tejo, porque fornece os nutrientes necessários para regenerar e manter a massa muscular, enquanto a atividade fÃsica promove o estÃmulo mecânico essencial para a hipertrofia muscular (aumento dos músculos com a prática de atividade fÃsica).
A ingestão proteica adequada, particularmente próxima dos perÃodos de exercÃcio, potencia a sÃntese de proteÃnas musculares e a sinergia entre estas áreas é fundamental para prevenir a sarcopenia, melhorar a funcionalidade e acelerar o retorno à autonomia fÃsica.
A sarcopenia é a perda de massa, força e função muscular, uma condição comum associada ao avanço da idade (>50 anos), à redução das atividades fÃsicas, à redução da produção de hormonas (testosterona e estrogénio) e consequente redução do tamanho das fibras musculares.
Nas instituições, a recuperação de pessoas idosas acamadas é cada vez mais realizada com uma equipa multidisciplinar composta por nutricionista, fisioterapeuta, enfermagem, médico e terapeuta da fala (quando necessário), e tem melhores resultados do que quando o doente é apenas seguido por um só profissional de saúde.
As necessidades energéticas e proteicas do paciente são identificadas através de uma avaliação nutricional individualizada, com base na qual é desenvolvido um plano alimentar adequado, explicou o nutricionista.
Segundo a mesma fonte, fora das instituições, pessoas de idade avançada que não estejam acamadas devem manter a prática de exercÃcio fÃsico, nem que seja em casa, se não puderem ir mais longe, ou fazendo uma caminhada diária, afirmou, lembrando que a idade está associada a falta de mobilidade e que é importantÃssimo combater isso.
Aos mais velhos o fisioterapeuta recomendou recorrer a técnicas que fomentem o exercÃcio fÃsico nas idades mais avançadas, como encontrar-se com outras pessoas da mesma idade e com o mesmo propósito de exercÃcio para um envelhecimento saudável ou participar em projetos que existem pelo paÃs nos centros de saúde focados na promoção desta mobilidade.
A preparação para uma boa velhice é muito importante para evitar as tão frequentes quedas em idosos, e para isso é essencial algum exercÃcio mesmo em idade avançada ou na terceira idade, reforçou o fisioterapeuta.
O trabalho dos fisioterapeutas com os idosos passa essencialmente por ajudar em manter o que chamam a “função” e que se traduz em manter a capacidade de continuar a fazer atividades da vida diária, como tarefas de autocuidado, cuidar da casa, ir ao banco ou fazer compras.
VP // ZO
Lusa/fim



