
Damasco, 30 jan 2025 (Lusa) – O Presidente interino sÃrio, Ahmed al-Charaa, afirmou hoje, no seu primeiro discurso à nação, que pretende dar prioridade à paz civil e “completar a unidade territorial” no paÃs, e confirmou a realização de uma conferência de diálogo nacional.
Para o antigo lÃder rebelde, indicado na quarta-feira para Presidente interino pelo novo poder em Damasco, a soberania sÃria deverá permanecer “sob uma única autoridade”, num paÃs dividido pela guerra que perdurou quase 14 anos e que mantém focos de violência armada no norte e sul do paÃs.
Ahmed al-Charaa defendeu também que será necessário “processar os criminosos que derramaram sangue sÃrio e cometeram massacres e crimes”, quer estejam presentes no paÃs ou no estrangeiro, ao mesmo tempo que se comprometeu com “uma verdadeira justiça de transição”.
Quase dois meses após a deposição do regime autoritário de Bashar al-Assad, o lÃder sÃrio confirmou a realização de uma conferência de diálogo nacional, no discurso pré-gravado que foi transmitido em vários canais televisivos.
“Anunciaremos nos próximos dias uma comissão para preparar a conferência de diálogo nacional, uma plataforma direta para discussões, para ouvir diferentes pontos de vista sobre o nosso próximo programa polÃtico”, indicou.
Outra comissão, prosseguiu, será criada para formar “um conselho legislativo restrito”, substituindo o parlamento, que foi dissolvido na quarta-feira.
Após estas etapas, uma “declaração constitucional” servirá de “referência legal” durante o perÃodo de transição, substituindo a lei fundamental que estava em vigor desde 2012 e também já revogada.
O chefe de Estado de transição, por um perÃodo ainda desconhecido, regressou à s circunstâncias da sua nomeação, indicada pelos grupos islamitas armados que derrubaram o poder de Assad em 08 de dezembro.
“Ontem [quarta-feira], foi-me atribuÃda a responsabilidade do paÃs, após intensas consultas com especialistas jurÃdicos, garantir um processo polÃtico em conformidade com as normas legais, de modo a obter a legitimidade necessária”, relatou.
Os rebeldes que assumiram o controlo da SÃria indicaram ma quarta-feira o seu lÃder de facto, Ahmed al-Charaa, para Presidente de transição e encarregaram-no de formar um conselho legislativo interino, ao mesmo tempo que dissolveram as Forças Armadas.
Numa série de anúncios em Damasco, as novas autoridades sÃrias suspenderam também a Constituição em vigor e dissolveram as atividades do parlamento, bem como o Baas, do anterior Presidente Bashar al-Assad, o partido no poder há mais de 60 anos.
Além do Exército, todos os grupos armados existentes no paÃs ficam também suspensos.
As novas autoridades sÃrias são lideradas pelo antigo grupo rebelde islamita Organização para a Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham, HTS), de al-Charaa, que se aliou aos movimentos armados apoiados pela Turquia na ofensiva relâmpago que derrubou Assad.
Apesar das suas origens islamitas e com ligações anteriores a grupos terroristas, o novo poder sÃrio tem procurado tranquilizar o paÃs e a comunidade internacional, expressando mensagens de integração da diversidade polÃtica e religiosa do paÃs.
Ao mesmo tempo que tenta consolidar o seu poder e manter o Estado funcional, lida com a persistência de combates no norte da SÃria entre forças apoiadas pela Turquia e grupos dominados pelos curdos e a presença de tropas israelitas no sul, em violação da zona desmilitarizada junto da fronteira entre os dois paÃses.
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