
Maputo, 28 jan 2025 (Lusa) – A primeira-ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, admite que o setor da saúde será o mais afetado pela suspensão do financiamento a programas de ajuda por parte da administração dos Estados Unidos da América (EUA).
“É um grande desafio porque o apoio dos EUA é um apoio extremamente importante, particularmente nas áreas sociais. Então, nós teremos que ver, com os nossos recursos, como é que podemos redirecionar alguns recursos para essas áreas, para que elas não fiquem sem nenhuma estrutura de desenvolverem as suas atividades”, disse a governante.
“O principal apoio [dos EUA] é para a área da saúde, mas há outros setores que têm apoios menos significativos”, reconheceu, recordando tratar-se de uma decisão que envolve sobretudo fundos canalizados pela agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), de congelamento por 90 dias.
“Não vale a pena a gente se antecipar. Então vamos esperar, entretanto vamos fazer a nossa gestão interna. Já tivemos outras situações preocupantes e conseguimos gerir. Então, eu acredito que desta vez também vamos conseguir gerir com os nossos recursos internos”, disse.
O Departamento de Estado norte-americano congelou na sexta-feira novos financiamentos para quase todos os programas de ajuda dos Estados Unidos em todo o mundo, com exceção dos programas humanitários alimentares e da ajuda militar a Israel e ao Egito.
A diretiva – enviada por telegrama à s embaixadas dos Estados Unidos em todo o mundo – proÃbe novas despesas do Governo, o que parece limitar os programas a funcionarem apenas enquanto tiverem dinheiro em caixa.
O Departamento de Estado vai analisar quais dos milhares de programas de ajuda e desenvolvimento dos Estados Unidos podem continuar.
A diretiva especifica a execução de uma ordem executiva de congelamento de ajuda assinada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em 20 de janeiro, o primeiro dia de regresso à Casa Branca para um segundo mandato presidencial (2025-2029).
A diretiva desapontou especialmente os trabalhadores humanitários por não incluir quaisquer isenções que poupassem as clÃnicas e outros programas de saúde em todo o mundo ao congelamento no financiamento.
Os EUA anunciaram em 02 de janeiro uma doação de 435 mil euros para assistência à s vÃtimas do ciclone Chido, que devastou em dezembro alguns distritos das regiões centro e norte de Moçambique, provocando pelo menos 120 mortos.
O financiamento foi anunciado através da agência Usaid, que disponibilizou 450 mil dólares (435 mil euros), indicando que o valor vai atender “à s necessidades urgentes” das populações afetadas pelo ciclone, sobretudo na provÃncia de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.Â
“A nossa assistência fornecerá ajuda vital à s pessoas mais impactadas pelo ciclone, ajudando a aliviar o sofrimento humano e a apoiar os esforços de recuperação”, lê-se na mensagem do embaixador dos EUA em Moçambique, Peter H. Vrooman, citado num comunicado de imprensa dos EUA.
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