
São Paulo, 24 jan 2025 (Lusa) — O Greenpeace denunciou hoje que a mineração ilegal continua a devastar as terras Yanomami, maior território indÃgena do Brasil, apesar das intervenções do Governo, desde janeiro 2023, para combater invasões de mineradores.
De acordo com a organização não-governamental, “entre julho e setembro de 2024, 50 hectares de novas áreas de garimpo foram abertos na Terra IndÃgena Yanomami. Isso representa um aumento de 32% em relação ao mesmo perÃodo de 2023, confirmando que as operações de ‘desintrusão’ [retirada] realizadas pelo Governo brasileiro não foram suficientes para conter a exploração ilegal”.
O Greenpeace relatou ainda que mesmo com ações pontuais, como a destruição de máquinas usadas para mineração e de acampamentos, novas frentes de mineração ilegal surgem, especialmente no sul do território, sobrepondo-se ao Parque Nacional do Pico da Neblina.
Dados divulgados pelo Governo brasileiro na última segunda-feira, indicam que foram realizadas no ano passado 3.536 operações de segurança no território Yanomami que teriam imposto um prejuÃzo de 267 milhões de reais (43,3 milhões de euros) à s redes criminosas que atuam com mineração ilegal naquela área.
As ações teriam, de acordo com a mesma fonte, consolidado uma redução de 95,76% na abertura de novas áreas para mineração ilegal, que caÃram de 1.002 hectares explorados em 2022 para 42 hectares em 2024.
Citando dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazónia (Censipam), o Governo brasileiro informou que a mineração ilegal ativa no território Yanomami diminuiu de 4.570 hectares, em março, para 313,6 hectares, em dezembro.
O Greenpeace alertou, no entanto, que lideranças indÃgenas, como a Hutukara Associação Yanomami, registaram várias denúncias sobre o retorno gradual de mineradores à s áreas previamente desocupadas pelas forças de segurança do Governo brasileiro.
A organização que luta globalmente em defesa do meio ambiente também avaliou que dois anos após o inÃcio da crise no território Yanomami e prestes a acolher o maior encontro anual sobre clima, a COP 30, “o Brasil precisa decidir se continuará assistindo à destruição de um de seus maiores patrimónios culturais e naturais ou assumirá a responsabilidade de proteger aqueles que cuidam da maior floresta tropical do planeta”.
“Medidas importantes foram tomadas desde o inÃcio do atual Governo, mas para cumprir plenamente a promessa de campanha de acabar com a mineração ilegal em terras indÃgenas, é preciso de mais: ‘desintrusão’ permanente, fortalecimento das polÃticas públicas de saúde, proteção dos territórios e valorização do conhecimento indÃgena”, concluiu o Greenpeace.
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