
Lisboa, 21 jan 2025 (Lusa) — O grupo criado pela Igreja Católica para acompanhar as situações de abuso sexual na instituição e que apresenta hoje o seu terceiro relatório de atividades, já recebeu 118 denúncias e 61 pedidos de reparação financeira.
No relatório, o Grupo VITA vai destacar o universo de 62 pessoas que pediram atendimento, presencialmente ou ‘online’, numa “caracterização sociodemográfica, do tipo de situações que reportam, onde é que aconteciam, como é que se sentiam, que impacto é que estas situações tiveram”.
Os dados foram revelados no domingo pela coordenadora do Grupo VITA, a psicóloga Rute Agulhas, em entrevista conjunta à agência Ecclesia e à Rádio Renascença, na qual apontou que a média etária das vÃtimas que contactaram aquele organismo desde a sua criação, em abril de 2023, se situa nos 54 anos.
Além deste relatório, o Grupo VITA apresenta hoje três estudos que desenvolveu sobre os catequistas e a prevenção do abuso sexual, o conhecimento do abuso infantil dos professores de Educação Moral e as “Vivências do celibato no contexto da Igreja Católica em Portugal”, divulgados no jornal digital 7Margens.
No caso do primeiro, conclui-se que os programas de prevenção neste âmbito estão “numa fase embrionária”, porque os catequistas católicos, embora reconheçam a importância da prevenção do abuso sexual de crianças no contexto da catequese e sintam que o podem fazer, manifestam ao mesmo tempo “alguns receios e sentem existir resistência não só do grupo de catequistas, como na própria comunidade”.
Uma das principais conclusões do segundo estudo revela que quase metade dos professores de Educação Moral Religiosa e Católica (EMRC) considera que a maior parte dos agressores sexuais já tinha “antecedentes de violência na famÃlia” (45,8%) e que “o adulto abusador foi ele próprio vÃtima de abuso sexual quando criança ou adolescente” (41.1%) ou sofre de “doença mental” (39.1%), segundo aquele jornal digital.
O terceiro, um “estudo quantitativo com membros de ordens religiosas”, só contou com 28 respostas, 25 das quais foram validadas, do universo de padres, seminaristas e diáconos membros de ordens religiosas, bem como de perto de cinco mil freiras. Dos resultados, conclui-se que “o celibato desempenha um papel central na vida dos membros de ordens religiosas”.
O Grupo VITA foi criado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) na sequência do trabalho da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica que validou 512 testemunhos de casos ocorridos entre 1950 e 2022, apontando, por extrapolação, para um número mÃnimo de 4.815 vÃtimas.
Em abril de 2024, a CEP aprovou a criação de um fundo, “com contributo solidário de todas as dioceses”, para compensar financeiramente as vÃtimas de abusos sexual no seio da Igreja Católica em Portugal.
Em 01 de junho, a CEP abriu o perÃodo de “apresentação formal” dos pedidos de compensação financeira à s crianças e adultos vulneráveis vÃtimas de abusos sexuais no contexto da Igreja Católica.
Estes pedidos devem ser apresentados, até 31 de março deste ano, ao Grupo VITA ou à s comissões diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, após o que, “uma comissão de avaliação determinará os montantes das compensações a atribuir”.
Os bispos preveem que os processos de atribuição de indemnizações estejam concluÃdos até ao final de 2025.
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