
Lisboa, 06 jan 2025 (Lusa) — As autoridades de saúde portuguesas esclareceram hoje que o metapneumovÃrus (hMPV), que regista um surto no norte da China, é habitual no inverno e que os casos em Portugal são “bastante raros”.
“Os casos têm sido bastante raros, até ao momento. Não parece ser o vÃrus predominantemente associado a algumas infeções respiratórias que estamos a ver”, disse à agência Lusa a investigadora do INSA Raquel Guiomar.
Segundo a especialista, Portugal não está, neste momento, “numa situação que se assemelhe à quilo que está a ser reportado, nomeadamente pelos meios de comunicação social da China, que estão a ver um aumento de casos em crianças”.
A responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o VÃrus da Gripe e Outros VÃrus Respiratórios, do INSA, lembrou que o hMPV foi detetado em 2001 e “circula muito à semelhança do vÃrus da gripe”, afetando “especialmente as crianças”.
“Pensa-se que todas as crianças, até aos 5 anos, tenham contacto com este vÃrus, e que ocorra a primeira infeção, mas à semelhança de outros vÃrus respiratórios, quer as crianças, quer os adultos, podem ser reinfetados durante o decurso da vida, toda a vida adulta”, salientou.
À Lusa, Raquel Guiomar explicou que os sintomas são muito semelhantes aos da gripe, podendo, em algumas vezes, estar também associados a sintomas gastrointestinais, dor abdominal ou diarreia.
“A sintomatologia normalmente resolve-se por si só, mas pode ser mais grave. (…) O vÃrus pode também estar associado a infeção respiratória mais grave nos grupos de risco, nomeadamente em crianças ou em adultos com doenças crónicas, ou com doenças que impliquem alguma diminuição da imunidade, nos imunocomprometidos, ou ainda nas pessoas mais velhas, com idade acima dos 65 anos”, sustentou.
A responsável pelo laboratório, que desde 1953 integra as redes de vigilância da gripe da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, recordou ainda que não há vacina para prevenir a transmissão de hMPV, indicando que devem ser usadas as mesmas medidas de prevenção da pandemia de covid-19.
“Termos uma boa higiene das mãos, usar máscara se tivermos sintomas ou evitar estar em aglomerados quando sabemos que estamos doentes e temos sintomatologia respiratória, porque a transmissão faz-se da mesma forma que a gripe, que o vÃrus SARS-CoV-2 [vÃrus responsável pela covid-19]”, disse.
O hMPV propaga-se “através dos aerossóis respiratórios [partÃculas de saliva] ou de secreções respiratórias”.
De acordo com o último relatório de Vigilância Epidemiológica da Gripe do INSA, foi apenas detetado um caso no paÃs desde outubro.
Numa resposta escrita enviada à Lusa, a DGS avançou que “até à data, não há indicação de expressão do vÃrus hMPV em Portugal, apenas a deteção, pontual, de uma amostra na rede de vigilância laboratorial dos vÃrus respiratórios”.
“O vÃrus hMPV é habitual, circulando nas épocas de inverno em ambos os hemisférios, causando constipações habitualmente sem especial gravidade. A sua expressão atual surge no contexto de outros vÃrus que não circularam entre a população durante a pandemia”, precisa.
A DGS lembra que se mantém “atenta sobre a vigilância habitual de vÃrus respiratórios”, indicando a etiqueta respiratória, a higienização das mãos, e a utilização adequada de máscara para quem apresenta sintomas respiratórios, bem como a utilização da Linha SNS24 como ponto de contacto inicial em caso de sintomas respiratórios, como medidas de prevenção efetivas, não prevendo quaisquer outras medidas especÃficas.
O Centro de Controle de Doenças da China alertou a população sobre a importância de adotar medidas de saúde e higiene após as autoridades registarem um aumento dos casos de hMPV no norte da China, especialmente entre crianças.
A autoridade de saúde chinesa rebateu também o que chamou de rumores publicados na Internet sobre hospitais lotados e descartou temores de uma nova pandemia.
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