
Maputo, 04 jan 2025 (Lusa) – O comandante-geral da PolÃcia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, estima que mais de 40% das infraestruturas daquela força policial foram destruÃdas ou parcialmente vandalizadas nas manifestações pós-eleitorais desde 21 de outubro.
Numa declaração feita numa parada realizada no quartel da Unidade de Intervenção Rápida da PRM, em Katembe, Maputo, e confirmadas hoje à Lusa pelo próprio comandante-geral, Bernardino Rafael deu conta que a rede de infraestruturas, “que levou anos a construir”, foi “severamente afetada” pela violência pós-eleitoral que se regista no paÃs.
“Estamos a falar de mais de 40% das unidades vandalizadas parcial ou totalmente em pouco mais de 80 dias de manifestações”, declarou Bernardino Rafael, recordando que as mesmas infraestruturas serviam de “aproximação” da PRM à s populações.
“Serviam diretamente as pessoas que tomaram a iniciativa de destruÃ-las”, disse ainda o comandante-geral da corporação, garantindo que, apesar do nÃvel de destruição, que visou sobretudo a polÃcia, a PRM permanece no terreno “para garantir a ordem e a segurança públicas”.
 O Conselho Constitucional (CC) de Moçambique fixou oficialmente o dia 15 de janeiro para a tomada de posse do novo Presidente da República, que sucede a Filipe Nyusi.
Em 23 de dezembro, o CC, última instância de recurso em contenciosos eleitorais, proclamou Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), como vencedor da eleição a Presidente da República, com 65,17% dos votos, sucedendo no cargo a Filipe Nyusi, bem como a vitória da Frelimo, que manteve a maioria parlamentar, nas eleições gerais de 09 de outubro.
Daniel Chapo, apontado pela Frelimo como uma “proposta jovem” e que vai ser o primeiro chefe de Estado nascido após a independência, assumirá a Presidência moçambicana no ano em que o paÃs assinala 50 anos de independência, um perÃodo marcado, entretanto, pela maior contestação aos resultados eleitorais desde as primeiras eleições, 1994.
A sua eleição é, contudo, contestada nas ruas e o anúncio do CC aumentou o caos que o paÃs vive desde outubro, com manifestantes pró-Venâncio Mondlane — candidato que segundo o Conselho Constitucional obteve apenas 24% dos votos, mas que reclama vitória — em protestos a exigirem a “reposição da verdade eleitoral, com barricadas, pilhagens e confrontos com a polÃcia, que tem vindo a realizar disparos para tentar a desmobilização.
Confrontos entre a polÃcia e os manifestantes já provocaram quase 300 mortos e mais de 500 pessoas feridas a tiro, segundo organizações da sociedade civil que acompanham o processo.
Além de Venâncio Mondlane, apoiado pelo partido Podemos, no percurso até à Ponta Vermelha (Residencial oficial do Presidente da República), Chapo enfrentou nas eleições de 09 de outubro Ossufo Momade (que obteve 6,62%), lÃder e apoiado pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal força de oposição, e Lutero Simango (que teve 4,02%), suportado e presidente do Movimento Democrático de Moçambique.
Mondlane, que lidera a contestação a partir do estrangeiro, afirmou, num dos seus diretos na sua rede social Facebook, que vai tomar posse no dia 15 de janeiro e prometeu anunciar, com detalhes, a próxima fase das manifestações, que designou de “Ponta de Lança”.
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