
Damasco, 25 dez 2024 (Lusa) – Pelo menos 66 pessoas morreram devido à explosão de minas e artefactos não detonados abandonados em diferentes zonas da SÃria desde o derrube do regime de Bashar al-Assad, há menos de três semanas, segundo uma organização.
O Observatório SÃrio de Direitos Humanos (OSDH), uma organização não-governamental (ONG) sediada no Reino Unido, que dispõe de uma vasta rede de parceiros no terreno, afirmou hoje em comunicado que outras 75 pessoas ficaram feridas em diferentes graus e advertiu que estes “restos da guerra” representam uma “fonte de medo” para milhões de refugiados e pessoas deslocadas que desejam regressar a casa.
“Entre os escombros das aldeias e bairros destruÃdos, encontram-se dispersos restos de guerra, minas e engenhos explosivos não detonados, que representam uma ameaça para a vida e uma fonte de medo para aqueles que desejam regressar e um obstáculo à reconstrução e ao regresso à normalidade” na SÃria, refere a nota.
Só em Damasco e arredores, 55 pessoas foram mortas pela detonação destes “restos de guerra”, incluindo oito crianças e cinco mulheres.
A guerra na SÃria começou após a violenta repressão de al-Assad à s revoltas populares em 2011 e terminou com o derrube do seu regime por uma coligação de fações islamitas liderada pela Organização Islâmica de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham, HTS, em árabe) no passado dia 08.
Apesar dos sinais positivos e das declarações do novo lÃder da SÃria, Ahmed al Sharaa, que lidera a HTS, sobre o futuro do paÃs árabe, a reconstrução e a remoção das minas e munições deixadas pela guerra continuam a ser um dos maiores obstáculos ao regresso dos refugiados e deslocados.
Foi neste contexto que o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários e Coordenador de Emergência, Tom Fletcher, alertou, numa entrevista na segunda-feira ao canal de televisão libanês Al Nahar, que o regresso “seguro” dos refugiados “requer uma estratégia a longo prazo”.
Estima-se que seis milhões de sÃrios tenham procurado refúgio noutros paÃses durante os 14 anos de guerra, enquanto outras centenas de milhares foram obrigadas a deslocar-se dentro do paÃs em busca de um refúgio seguro.
“O Observatório SÃrio para os Direitos Humanos renova o apelo para que as organizações internacionais trabalhem na remoção dos restos de guerra do território sÃrio, tendo em conta os perigos que representam para a vida da população, uma vez que estão disseminados”, concluiu a ONG.
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