
Luanda, 20 dez 2024 (Lusa) — O presidente da UNITA (oposição) disse hoje que a nova divisão polÃtico administrativa de Angola é um “expediente” que visa contrariar a “tendência irreversÃvel da queda” do partido no poder (MPLA) perante a sua “acentuada impopularidade”.
Adalberto Costa Júnior, que falava na abertura da quarta reunião ordinária da Comissão PolÃtica da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), acusou o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975) de “ter deitado para o caixote de lixo toda a legislação autárquica”.
Segundo o presidente da UNITA, o partido no poder em Angola decidiu negar todos os discursos e promessas feitas durante a sua campanha eleitoral e “confessar que nunca teve na sua agenda a realização das autárquicas”.
“Mantemos a nossa convicção de que quem não conseguiu em 49 anos resolver os problemas básicos das populações nos 164 municÃpios não vai conseguir seguramente ser capaz de resolver os problemas nos agora 326 municÃpios. É uma questão de realismo polÃtico e material”, referiu.
Angola vai contar a partir de janeiro de 2025 com mais três novas provÃncias, nomeadamente Icolo e Bengo (que surge da divisão da provÃncia de Luanda), Moxico Leste (que emerge da divisão da provÃncia do Moxico) e Cuando (que surge da divisão do Cuando-Cubango), totalizando 21 provÃncias, à luz da nova lei da divisão administrativa do paÃs.
Para Adalberto Costa Júnior, a nova divisão polÃtico-administrativa do paÃs e as “tesouradas” à geografia das provÃncias, “nada mais são senão o expediente que visa contrariar a tendência irreversÃvel da queda do partido no poder perante a sua acentuada impopularidade”.
“A impopularidade é crescente perante a incapacidade de governar em transparência. A incapacidade de melhorar a realidade social e económica dos trabalhadores, das famÃlias e das empresas do nosso paÃs”, disse.
Falando na abertura desta reunião que avalia a situação geral do paÃs e a vida interna do seu partido, o polÃtico deplorou também a perda contÃnua do valor do kwanza (moeda nacional) e o “irreversÃvel” desespero das famÃlias face à galopante inflação dos produtos da cesta básica.
Considerou que a justificação apresentada ao paÃs sobre a nova divisão administrativa, como sendo a aproximação dos serviços à s populações, “é uma falácia que esconde as verdadeiras intenções do regime”.
“Não haverá desenvolvimento social e económico, nem progresso enquanto o regime continuar focado na sua sobrevivência polÃtica e a ignorar os reais problemas do povo, como o que temos vindo a assistir ao longo de todos os últimos anos”, notou.
Costa Júnior referiu, por outro lado, que a fome em Angola “é hoje uma realidade insofismável” que afeta muitas famÃlias, muitas das quais “se socorrem cada vez mais dos contentores de lixo para conseguirem alguma coisa para comer”.
Citando os Ãndices da pobreza no paÃs, o desemprego, a inflação, a malnutrição e deficiências no acesso à saúde e educação, o responsável partidário classificou o quadro social do paÃs como “bastante sombrio”.
“E as suas sombras projetam-se, sobretudo, para o futuro do paÃs, havendo, por isso, urgente necessidade de reverter a desastrosa situação económica e social para se atenuarem os efeitos futuros perversos decorrentes desta grave situação”, indicou.
Os 50 anos de independência de Angola, que se assinalam em 11 de novembro de 2025, “têm sido vividos sob signo da divisão, da exclusão, da pobreza extrema do povo e sob signo da corrupção institucionalizada”, disse.
Adalberto Costa Júnior disse ainda que em 2025, ano em que realiza o seu XIV Congresso Ordinário, a UNITA deve continuar a fazer uma “defesa acérrima” do Estado democrático com garantias dos direitos e liberdades inerentes, pluralismo de ideias e opinião.
“Vamos continuar a pressionar pela efetivação das autarquias locais e pela lisura e transparência dos processos”, concluiu o lÃder partidário.
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