
Nova Iorque, Estados Unidos, 19 dez 2024 (Lusa) — O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu hoje que a transição na SÃria seja feita “pelos sÃrios e para os sÃrios, todos os sÃrios”, e que seja “inclusiva, credÃvel e pacÃfica”.
Em declarações na sede da ONU, em Nova Iorque, Guterres criticou os ataques israelitas ao território sÃrio (mais de 400, segundo os próprios números de Israel), classificando-os como “violações da soberania sÃria e da sua integridade territorial” e defendendo que “têm de cessar”.
O polÃtico português pediu ainda que a transição sÃria tenha em conta “todas as comunidades” étnicas ou religiosas, e que seja conduzida de maneira a que “os direitos das mulheres e das raparigas sejam plenamente respeitados”.
Guterres considerou que a SÃria constitui agora “uma chama de esperança” numa região do Médio Oriente consumida por múltiplos conflitos e disse que os sÃrios “enfrentam um momento histórico”, mas também reconheceu que a transição será delicada e “há um risco real de descarrilar”.
O secretário-geral da ONU citou especificamente os combates que continuam a acontecer no norte do paÃs – principalmente entre grupos rebeldes curdos e outros apoiados pela Turquia – e os repetidos bombardeamentos de Israel contra instalações militares sÃrias, além da incursão de soldados israelitas para lá da linha de demarcação dos Montes Golã, ocupados por Israel desde 1973.
Referindo-se especificamente a Israel, defendeu que “a soberania e a unidade territorial da SÃria devem ser totalmente restauradas e todos os atos de agressão devem terminar imediatamente”.
Além dos combates e do processo polÃtico, Guterres lembrou ainda que a SÃria “continua a ser uma das maiores crises humanitárias do mundo” devido ao número de mortos, desaparecidos e deslocados pela longa guerra civil que durou mais de 10 anos.
Precisamente para promover a procura de pessoas desaparecidas, Guterres anunciou também a nomeação da mexicana Karla Quintana como responsável da Instituição independente para Pessoas Desaparecidas na SÃria, criada pela Assembleia Geral da ONU no ano passado.
Uma ofensiva na SÃria, lançada a 27 de novembro a partir da provÃncia de Idlib, permitiu aos ‘jihadistas’ e aos rebeldes tomar a capital, Damasco, e pôr fim ao regime da famÃlia al-Assad, no poder desde 1971 – primeiro com Hafez al-Assad (1971-2000) e depois com o seu filho, Bashar – face a uma retirada constante das tropas governamentais, apoiadas pela Rússia e pelo Irão.
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