
Jerusalém, 15 dez 2024 (Lusa) – O chefe de Estado-Maior General do exército israelita, Herzi Halevi, defendeu que o objetivo dos ataques na SÃria é “garantir a segurança de Israel” e não uma ingerência nos destinos do paÃs vizinho.
“Não estamos a interferir no que se passa dentro da SÃria, nem pretendemos governá-la”, disse o lÃder das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).
Durante uma reunião operacional sobre a situação nos Montes Golã, citado pelos meios de comunicação locais, Halevi acrescentou que qualquer intervenção israelita está a ser “tratada com profissionalismo, determinação e precisão”.
O chefe de Estado-Maior General insistiu que as forças armadas estão “inequivocamente envolvidas em garantir a segurança dos cidadãos israelitas que vivem nas comunidades” fronteiriças.
Após a queda de Assad, Israel destacou o exército na zona desmilitarizada com a SÃria, nos Montes Golã.
“A SÃria já foi um Estado inimigo; as suas forças armadas entraram em colapso e há uma ameaça real de elementos terroristas que tentam estabelecer-se perto da nossa fronteira. Agimos de forma decisiva para impedir que os grupos extremistas se instalem”, acrescentou Halevi.
Mais de 60 ataques israelitas atingiram locais militares em poucas horas em toda a SÃria, quase uma semana após a tomada de Damasco por uma coligação armada, avançou uma organização não governamental.
O Observatório SÃrio para os Direitos Humanos (OSDH) registou “61 ataques em menos de cinco horas” na noite de sábado por parte de Israel, que intensificou os ataques ao paÃs vizinho desde a fuga do presidente Bashar al-Assad.
A organização, com sede no Reino Unido e uma vasta rede de contactos na SÃria, disse que esta vaga de bombardeamentos elevou para “446 o número total de ataques aéreos desde 08 de dezembro”.
“Israel continua a intensificar os ataques aéreos contra o território sÃrio, em particular para destruir completamente os túneis sob as montanhas”, acrescentou o OSDH, especificando que foram utilizados “mÃsseis de fragmentação”.
O lÃder insurgente sÃrio, Ahmed al-Charaa, garantiu no sábado não estar interessado em entrar em conflito com Israel e apelou à intervenção urgente da comunidade internacional para travar a escalada israelita contra o paÃs árabe.
Os rebeldes da vitoriosa coligação islamita Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham, ou HTS, em árabe), que inclui o antigo ramo sÃrio da Al-Qaida, lançaram a 27 de novembro uma ofensiva relâmpago a partir da cidade de Idlib, um bastião da oposição.
Em poucos dias, a HTA conseguiu pôr fim ao regime da famÃlia al-Assad, no poder desde 1971, ano em que Hafez al-Assad tomou o poder através de um golpe de Estado.
O filho de Hafez, Bashar al-Assad, há 24 anos a liderar a SÃria, abandonou a 08 de dezembro o paÃs com a famÃlia e pediu asilo polÃtico na Rússia.
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