
Seixal, Setúbal, 12 dez 2024 (Lusa) — O secretário de Estado do Ambiente defendeu hoje que Portugal deve avançar para um modelo na área dos resÃduos de incentivo aos cidadãos em que cada um paga o que produz e recebe em função da reciclagem que faz.
EmÃdio Sousa falava aos jornalistas no final de uma visita à Ambigroup no Seixal, no distrito de Setúbal, um grupo empresarial, que presta serviços de gestão, tratamento, reciclagem e valorização de resÃduos.
“Estamos muito aquém daquilo que devÃamos fazer em matéria de reciclagem, mas temos de ser pragmáticos. Não basta a consciência cÃvica, a consciência ambiental. Temos de incentivar o cidadão a fazer a reciclagem”, disse.
O governante explicou que o grupo de trabalho criado em final de novembro com a missão de desenvolver o Plano de Emergência de Aterros e a estratégia a médio prazo no que diz respeito à gestão dos resÃduos urbanos e não urbanos deverá incorporar esta ideia nas suas conclusões a serem apresentadas no final de janeiro.
“Pelo menos é uma das sugestões que eu faço. É que cada um pague o resÃduo que produz e que receba em função da reciclagem que faz. Tem de haver aqui um balanço entre aquilo que nós entregamos como resÃduo, como lixo, e aquilo que fazemos, a separação que fazemos. Não chega à consciência cÃvica. Não chega, não chegamos lá”, frisou EmÃdio Sousa.
O secretário de Estado do Ambiente adiantou que já existe tecnologia noutros paÃses que pode ser aplicada para implementar esta ideia e que os modelos serão estudados.
Este sistema em que cada um paga conforme produz e recebe um bónus conforme recicla, adiantou, vai passar pelos municÃpios, sozinhos ou agregados.
“Um dos desafios que está para o grupo de trabalho é pensarmos, de uma forma voluntária, que os municÃpios se possam agregar nestes sistemas. Porque são investimentos muito elevados”, disse.
A Europa, adiantou, fixou metas muito ambiciosas, e é necessário cumpri-las, aguardando que o grupo de trabalho apresente conclusões rápidas.
“Não basta escrever bons diplomas, boas leis, mas depois é preciso cumpri-las. E é esse o desafio que temos”, disse adiantando que o aterro deve ser sempre a última das hipóteses.
Antes dos aterros, explicou, deve haver uma aposta na separação dos materiais, na sua reciclagem e na extração de todos as componentes possÃveis desses materiais.
Quando não existir uma solução de reciclagem ou de reaproveitamento, adiantou, tem de haver uma solução de valorização energética dos resÃduos.
“A energia pode ser produzida a partir de alguns destes resÃduos que não têm uma recuperação possÃvel. Portanto, é isto que também vamos fazer nos próximos tempos”, disse.
Contudo alertou que todos estes investimentos a realizar nos próximos anos levam o seu tempo e, a curto prazo, o que é preciso fazer é otimizar os atuais aterros, medida que por vezes significa “uma ligeira ampliação ou o aumento de cotas”.
“Não serão novos para já. O grupo de trabalho terá as suas conclusões”, disse.
O secretário de Estado adiantou que é preciso vincar o papel dos cidadãos neste processo uma vez que muitas das medidas só podem ser executadas se Portugal tiver cidadãos conscientes da necessidade de separar resÃduos e de diminuir a sua produção.
“Muito mais do que falar de aterros, acho que devemos cada vez mais falar em reciclagem, em reutilização, em segunda via dos materiais”, frisou.
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