
Paris, 11 dez 2024 (Lusa) — Pelo menos 30 gabinetes de deputados franceses nas respetivas circunscrições eleitorais foram vandalizados na última semana por grupos de agricultores, em protesto contra a queda do governo conservador de Michel Barnier, que tinha preparado medidas favoráveis ao setor.
A informação foi hoje divulgada pela presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet.
“A angústia e as preocupações, por muito legÃtimas que sejam, não devem ser expressas através de intimidação contra os representantes democraticamente eleitos”, afirmou a representante, num comunicado.
Esta estimativa foi dada no mesmo dia em que o centro de Dijon, no leste de França, foi ocupado por 200 tratores de dois sindicatos agrÃcolas, que protestam contra a queda do Governo de Barnier, mas também contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (bloco que integra Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, BolÃvia), assinado na semana passada em Montevideu.
Alguns dos gabinetes parlamentares visados foram entaipados com tijolos, pintados ou tiveram pilhas de lixo despejadas em frente à s suas fachadas. As ações foram reivindicadas pelo principal sindicato agrÃcola, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Exploradores AgrÃcolas (FNSEA).
A maior parte das representações vandalizadas são de deputados da esquerda radical França Insubmissa (LFI) e da extrema-direita União Nacional (RN), partidos que estiveram na origem da moção de censura que derrubou o Governo de Barnier, que tinha preparado medidas favoráveis ao setor agrÃcola mas que ficaram por aplicar, nomeadamente benefÃcios fiscais que estavam previstos na proposta de Orçamento do Estado para 2025.
Estas medidas estão suspensas, pelo menos até à nomeação de um novo primeiro-ministro pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que anunciou na terça-feira que pretendia fazê-lo “dentro de 48 horas”.
O novo chefe de Governo terá também de ser capaz de sobreviver a uma potencial nova moção de censura numa Assembleia Nacional fragmentada em três blocos (aliança de esquerda, macronistas/direita e extrema-direita), que parecem irreconciliáveis.
Além disso, os agricultores franceses e as associações de agricultores estão a pressionar os responsáveis polÃticos para impedir a entrada em vigor do pacto comercial entre o bloco europeu e o bloco sul-americano.
Embora exista um raro consenso polÃtico em França na rejeição deste acordo, o setor quer que o Governo e Macron se mobilizem a nÃvel europeu para atrair mais paÃses da UE e impedir o acordo aprovado pela Comissão Europeia e pelos paÃses do Mercosul na semana passada no Uruguai.
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