
Genebra, 10 dez 2024 (Lusa) – A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou hoje um apelo urgente de 30 milhões de dólares para ajudar quase 700.000 pessoas no noroeste da SÃria durante o inverno, na sequência da queda do Presidente Bashar al-Assad.
A agência que integra o sistema das Nações Unidas alertou, em comunicado, que “os rápidos desenvolvimentos registados na última semana agravaram as necessidades humanitárias, ao mesmo tempo que trouxeram um renovado sentimento de esperança”.
A organização garantiu também que “está ao lado do povo sÃrio e continuará a prestar ajuda crÃtica à s comunidades deslocadas no noroeste da SÃria”, através da operação transfronteiriça a partir da Turquia.
Este “apelo relâmpago” da OIM pretende apoiar com o fornecimento de “água de emergência, serviços de saneamento e saúde, gestão e coordenação de acampamentos, abrigos de emergência e soluções de habitação transitória, e serviços de proteção”.
 “(…) Mais de uma década de guerra devastou o paÃs, deixando o seu povo empobrecido e com cicatrizes, e as suas infraestruturas em ruÃnas. A maioria dos sÃrios no paÃs depende da ajuda humanitária e as necessidades estão a aumentar com o inverno rigoroso. Precisamos urgentemente de reforçar a nossa resposta humanitária e garantir que o povo sÃrio é apoiado neste momento de esperança e de oportunidades renovadas”, frisou a diretora-geral da OIM, Amy Pope.
Dados da OIM apontam que cerca de 1 milhão de pessoas podem ter sido deslocadas pelos combates mais recentes, com a organização a lembrar que “antes desta semana, 3,5 milhões de pessoas já estavam deslocadas no norte da SÃria”, sendo que 4,2 milhões necessitavam de proteção e assistência humanitária, 16,7 milhões em todo o paÃs.
Também hoje a organização não-governamental (ONG) Médicos do Mundo revelou que reforçou a ajuda humanitária na SÃria, adaptando as suas atividades no paÃs para “responder à s necessidades em constante mudança dos 16,7 milhões de sÃrios que dependem de ajuda humanitária”.
“Desde 27 de novembro de 2024, entre 800 mil e um milhão de pessoas deslocaram-se em toda a SÃria, incluindo 345.375 só na provÃncia de Idlib e mais de 100 mil no nordeste do paÃs”, destacou a ONG, num comunicado onde apelou a todas as partes para que respeitem os direitos humanos e facilitem a ajuda humanitária
A Médicos do Mundo, que iniciou as suas atividades na SÃria em 2008, pretende dar prioridade ao envio rápido de equipas médicas e bens essenciais para as regiões afetadas pelas hostilidades entre 27 de novembro e 08 de dezembro de 2024 no noroeste da SÃria e em áreas anteriormente controladas pelo governo.
A ONG detalhou ainda que também está ativa no nordeste da SÃria, onde “os recentes desenvolvimentos agravaram os desafios de segurança, tanto para a população, como para as equipas”.
“A chegada de mais de 20 mil refugiados do LÃbano e de 100 mil pessoas deslocadas do noroeste da SÃria veio sobrecarregar ainda mais o frágil sistema de saúde. As dificuldades de acesso e o défice de financiamento limitam o alargamento da ajuda, tornando urgente recursos adicionais para intensificar a resposta”, alertou.
Os rebeldes declararam a 08 de dezembro Damasco ‘livre’ do Presidente Bashar al-Assad, após 12 dias de uma ofensiva de uma coligação liderada pelo grupo islamita Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham ou HTS, em árabe), juntamente com outras fações apoiadas pela Turquia, para derrubar o regime sÃrio.
Perante a ofensiva rebelde, Assad, que esteve no poder 24 anos, abandonou o paÃs e asilou-se na Rússia.
No poder há mais de meio século na SÃria, o partido Baas foi, para muitos sÃrios, um sÃmbolo de repressão, iniciada em 1970 com a chegada ao poder, através de um golpe de Estado, de Hafez al-Assad, pai de Bashar, que liderou o paÃs até morrer, em 2000.
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