
Nações Unidas, Nova Iorque, 08 dez 2024 (Lusa) — O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pede calma e que se evite violência na SÃria, após a queda do regime de Bashar al-Assad, que vê como uma “oportunidade histórica para construir um futuro estável e pacÃfico”.
“Há muito trabalho a fazer para assegurar uma transição polÃtica ordenada para instituições renovadas. Reitero o meu apelo para a calma e para que se evite a violência neste momento sensÃvel, protegendo simultaneamente os direitos de todos os sÃrios, sem distinção”, referiu Guterres numa nota partilhada no portal das Nações Unidas.
Os rebeldes declararam hoje Damasco ‘livre’ do Presidente Bashar al-Assad, após 12 dias de ofensiva de uma coligação liderada pelo grupo islâmico Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham ou HTS, em árabe), juntamente com outras fações apoiadas pela Turquia, para derrotar o governo sÃrio.
O lÃder da ONU considerou que “após 14 anos de guerra brutal e a queda do regime ditatorial, o povo da SÃria pode hoje aproveitar uma oportunidade histórica para construir um futuro estável e pacÃfico”.
Guterres defendeu que é preciso o apoio da comunidade internacional para uma garantir uma transição polÃtica inclusiva e abrangente e que responda à s aspirações da população.
“A soberania, a unidade, a independência e a integridade territorial da SÃria devem ser restauradas”, vincou o secretário-geral da ONU, que pediu que a inviolabilidade das instalações e do pessoal diplomático e consular “deve ser respeitada em todos os casos”.
Apontando que serão os sÃrios a determinar o futuro da SÃria, Guterres disse que a ONU vai estar empenhada em apoiá-los a “construir um paÃs onde a reconciliação, a justiça, a liberdade e a prosperidade sejam realidades partilhadas por todos”.
Em 2015, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 2254, com o objetivo de se definir uma solução polÃtica para a guerra civil na SÃria, que eclodira em 2011, e de estabelecer um processo de transição polÃtica, sob a égide da ONU.
O Presidente sÃrio, no poder há 24 anos, deixou o paÃs perante a ofensiva rebelde, segundo o Observatório SÃrio dos Direitos Humanos (OSDH), desconhecendo-se, para já, o seu paradeiro.
Rússia, China e Irão manifestaram preocupação pelo fim do regime, enquanto a maioria dos paÃses ocidentais e árabes se mostrou satisfeita por Damasco deixar de estar nas mãos do clã Assad.
No poder há mais de meio século na SÃria, o partido Baath foi, para muitos sÃrios, um sÃmbolo de repressão, iniciada em 1970 com a chegada ao poder, através de um golpe de Estado, de Hafez al-Assad, pai de Bashar, que liderou o paÃs até morrer, em 2000.
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