
Maputo, 28 nov 2024 (Lusa) – A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) assumiu hoje não ter datas para a realização do Conselho Nacional exigido pelos ex-guerrilheiros, e apontou a falta de fundos e a proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional (CC) como condicionantes.
 “Havia uma narrativa de que o Conselho Nacional não teria lugar. É uma pura mentira, o presidente da Renamo nunca esteve na contramão da realização do Conselho”, disse o presidente do Conselho Jurisdicional do partido, Arnaldo Chalaua, assegurando que se trata de um direito “interno” dos membros e reconhecendo que o evento deve acontecer duas vezes por ano.
“Neste momento, o presidente do partido se abre de forma clara e inequÃvoca de que sim, vamos à realização de um Conselho Nacional em estrito respeito aos estatutos internos, estando neste perÃodo a serem mobilizados meios financeiros para que esta atividade decorra”, acrescentou.
A polÃcia foi chamada em 26 de novembro à sede nacional da Renamo, em Maputo, após antigos guerrilheiros da maior força da oposição, contestatários do lÃder do partido, Ossufo Momade, na sequência das eleições gerais, terem protestado nas instalações.
“Quem chamou a polÃcia ainda nos interessa saber e com que intenção (…). Nós chegámos e pedimos que a polÃcia não entrasse nas premissas da Renamo, porque afinal de contas não há necessidade de haver polÃcia para resolver um problema que está dentro de casa. E como viu, uma hora e meia, duas horas, o assunto está resolvido”, explicou o deputado Muhamad Yassine, à porta da sede do partido.
Entre outros pontos, os ex-guerrilheiros exigem a realização, ainda este ano, do segundo Conselho Nacional coberto legalmente pelos estatutos, facto reconhecido pelo também deputado Arnaldo Chalaua, que assegurou, em conferência de imprensa em Maputo, que o evento vai se realizar, entretanto, sem avançar data e nem local.
“Terá lugar ainda o local por indicar, querÃamos era deixar claro e de forma inequÃvoca que sim, terá lugar”, declarou, referindo que a atividade está, igualmente, refém da proclamação dos resultados pelo CC, matéria que deverá ser debatida no encontro.
“Fará sentido realizar um Conselho Nacional para analisar a primeira agenda que tem a ver com eleições. Só poderá ter lugar depois de percebermos como decorreram estas eleições, porque o direito constitucional foi posto em causa”, avisou Chalaua.
Em face das contestações ao lÃder da Renamo, Ossufo Momade, Chalaua pediu aos membros do partido o “cumprimento dos estatutos e de regulamentos internos” em relação à s exigências da realização de um encontro nacional de membros, exigindo-lhes “disciplina” para assegurar o funcionamento normal do partido.
Depois de apelar à “calma e paciência”, Chalaua defendeu que “ninguém, seja quem for, deve obstruir a atividade polÃtica nas instalações da Renamo”.
Ossufo Momade assumiu a liderança da Renamo após a morte do lÃder histórico e fundador do partido Afonso Dhlakama (1953–2018) e foi também candidato nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024 ao cargo de Presidente da República.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicana anunciou em 24 de outubro a vitória de Daniel Chapo (Frelimo) na eleição a Presidente da República, com 70,67% dos votos, resultados que ainda carecem da validação do Conselho Constitucional, mas que não são reconhecidos por nenhum dos restantes três candidatos, entre acusações de fraude eleitoral.
Venâncio Mondlane, ex-deputado da Renamo e apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos, extraparlamentar), ficou em segundo lugar, com 20,32%, totalizando 1.412.517 votos, seuindo-se Ossufo Momade, com 403.591 votos (5,81%), e Lutero Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, terceiro partido parlamentar), com 223.066 votos (3,21%).
PYME (PVJ) // VM
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