
Porto, 20 nov 2024 (Lusa) – O Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA) da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) contabilizou 25 mulheres assassinadas em Portugal, entre o inÃcio do ano e 15 de novembro, das quais 20 femicÃdios, segundo dados preliminares divulgados hoje.
“Este número é similar ao perÃodo homólogo de 2023. A diferença é que este ano temos mais femicÃdios (homicÃdios em que existe violência de género) do que assassinatos. Temos então, em 2024, 20 femicÃdios, destes 16 foram cometidos em relações de intimidade, três em contexto familiar não Ãntimo e um em contexto de violência sexual dos femicÃdios em relações de intimidade”, disse hoje uma das investigadoras responsáveis por este trabalho.
Em conferência de imprensa para apresentação dos dados preliminares sobre as mulheres assassinadas em Portugal, Frederica Armada referiu que “15 dos femicÃdios foram perpetrados por homens e um foi por uma mulher. Destes 16 casos, temos 12 que aconteceram em relações atuais, ou seja, relacionamentos existentes e quatro deles foram em relacionamentos já terminados, em que as vÃtimas já se tinham distanciado do agressor”.
Em oito casos, apurou-se que a vÃtima e o agressor tinham filhos em comum, sendo que em três destes casos os filhos eram menores.
Em relação à violência prévia, o documento que foi hoje apresentado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), revela que “em pelo menos 10 dos casos, a violência já existia e essa violência era conhecida de familiares de vizinhos, outras pessoas conhecidas e, nomeadamente, em seis destes casos, já havia queixas na polÃcia.
“Ou seja, havia seis casos que já tinham sido identificados pelas autoridades e que podiam ter sido travados mais cedo. Em três destes casos, existiam ameaças de morte, também já reportadas à s autoridades. Convém referir que três destes agressores já tinham um historial criminal, incluindo violência doméstica, e em pelo menos um dos casos havia historial de feminicÃdio de uma ex-namorada”, salientou a investigadora.
Os dados revelam também que a maioria das vÃtimas tinha mais de 36 anos, 12 delas estavam empregadas, quatro eram reformadas e das 20 vÃtimas de femicÃdio, 14 delas tinham filhos ou filhas, e pelo menos em seis casos, os filhos eram menores de idade.
Quanto ao crime, 12 casos ocorreram na residência conjunta do agressor e da vÃtima e cinco casos ocorreram na via pública. Os meios mais utilizados este ano foram as armas de fogo ou armas brancas, mas há também outros casos em que foram usados objetos contundentes ou outros métodos.
A par dos homicÃdios existiram no mesmo perÃodo 53 tentativas de assassinato de mulheres, das quais 30 são tentativas de femicÃdio, ou seja, “tentativas de matar as mulheres porque elas são mulheres, em contexto de situações de violência de género ou por questões de género”, explicou.
“Estas 30 tentativas de assassÃnio em conjunto com as 20 mulheres que foram assassinadas por femicÃdio, estamos a falar, em 2024, de um total de 50 mulheres só nos primeiros 11 meses do ano, que sofreram atentados à sua vida, atentados ao seu bem-estar, motivadas por questões relacionadas com o género”, salientou Frederica Armada.
A investigadora Maria José Magalhães, da UMAR, considerou que “temos de ter muita consciência que as questões da violência doméstica muitas vezes podem escalar e devemos encarar a violência doméstica como o crime grave que ele é. É preciso encarar de forma séria, em termos de estratégias polÃticas e de prevenção”.
Os dados recolhidos derivam de notÃcias publicadas na imprensa nacional.
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