
Luanda, 20 nov 2024 (Lusa) — O embaixador português em Angola, Francisco Alegre Duarte, admitiu hoje que “nem tudo são rosas” para as empresas que atuam em Angola e afirmou que o governo angolano deve “acarinhar as empresas portuguesas” que já estão no paÃs para atrair novos empresários.
Discursando na apresentação do relatório “Barómetro dos Gestores 20224”, Francisco Alegre Duarte manifestou “um imenso orgulho” no contributo das empresas para o desenvolvimento do paÃs africano, “criando riqueza e empregos de qualidade”, mas admitiu que “nem tudo são rosas, como qualquer empresário que opera em Angola bem sabe”.
Entre os desafios e dificuldades que impactam as empresas portuguesas no mercado angolano, apontou o pagamento de dÃvidas, a desvalorização cambial, a inflação, as taxas de juro, a dificuldade no repatriamento de capitais, os entraves à s licenças de importação, os desafios da previsibilidade jurÃdica, a ausência de reciprocidade em matéria de segurança social (nomeadamente no tocante à portabilidade das pensões) e a falta de mão-de-obra qualificada, com impacto negativo nas operações e nos planos de investimento.
O diplomata assinalou também a necessidade de comunicar melhor as prioridades angolanas em matéria de polÃtica económica para que os empresários tenham mais confiança e segurança na tomada de decisões.
“Por isso, tenho repetidamente salientado junto do Governo angolano que a melhor forma de atrair novas empresas portuguesas é acarinhar aquelas que já estão em Angola — com um sentido de compromisso com provas dadas nas horas boas e nas horas más”, afirmou.
Disse que as relações entre Portugal e Angola se caracterizam pela estabilidade, maturidade, e desejo de promover uma maior cooperação, sobretudo nos domÃnios económico-financeiro e comercial que têm sido prioritários para os governos portugueses, destacando o aumento da linha de crédito ao abrigo da Convenção Bilateral Portugal-Angola em mil milhões de euros em dois anos, atingindo atualmente 2,5 mil milhões de euros.
“Também demos novos passos para a certificação e pagamento de dÃvidas à s empresas, que continuam a ser uma prioridade para Portugal”, frisou, acrescentando que as prioridades e preocupações das empresas portuguesas estão no centro da ação diplomática.
Francisco Alegre Duarte sublinhou que, além da vertente económica, a cooperação reveste-se também de importância polÃtica e estratégica, apontando as discussões que têm sido promovidas em torno do Corredor do Lobito, “que poderá transformar positivamente toda a economia não só de Angola, como de toda a região envolve, e no qual a participação de empresas portuguesas tem sido muito relevante”, ou o contributo que Portugal quer dar para que Angola cumpra com as recomendações do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).
Sobre o Barómetro realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, em conjunto com a consultora PwC e Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), considerou que as empresas portuguesas têm “uma capacidade de adaptação e uma tenacidade que as torna parceiras valiosas para o desenvolvimento de Angola” e apontou a interligação económica e a mobilidade humana como “o motor” da relação entre os dois paÃses.
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