
Lisboa, 16 nov 2024 (Lusa) — Os cães da PSP são reconhecidos internacionalmente e a sua preparação tem atraÃdo outras polÃcias, como a dos PaÃses Baixos que está atualmente em Lisboa para treinar em conjunto a deteção de explosivos em ataques terroristas.
O Grupo Operacional Cinotécnico da Unidade Especial de PolÃcia (UEP) está a realizar em conjunto com a polÃcia dos PaÃses Baixos um exercÃcio, entre 04 e 22 de novembro, que consiste em preparar e treinar os cães para a deteção de engenhos explosivos que normalmente são usados em atentados terroristas.
Cerca de 20 polÃcias dos PaÃses Baixos participaram neste treino conjunto em que esperam aprender e preparar melhor os seus cães juntamente com os ‘binómios cinotécnicos’ (um polÃcia e um cão) portugueses.
“A polÃcia portuguesa usa uma maior variedade de odores que a polÃcia neerlandesa não tem”, disse à Lusa Marcel Timmerman, instrutor na área de deteção de explosivos da polÃcia dos PolÃcias Baixos.
Marcel Timmerman está em Portugal pela segunda vez para treinar em conjunto com a PSP e destacou este tipo de exercÃcios com outras polÃcias para uma melhor preparação.
“Escolhemos não só os portugueses, mas também outros paÃses para treinarmos juntos e melhorar. Mas, neste caso, a polÃcia neerlandesa escolheu a portuguesa pela maior quantidade de odores e preparação”, sustentou.
O polÃcia neerlandês afirmou ainda que, durante estas semanas a treinar juntamente com os polÃcias do Grupo Operacional Cinotécnico, as equipas neerlandeses aprenderam muito, frisando que é nestas ações que falam “sobre o treino dos cães, a forma como treinam e como os polÃcias treinam”.
“Este tipo de formação é muito importante porque a segurança é uma coisa muito importante nos PaÃses Baixos, mas também em Portugal e em toda a Europa. Por isso, treinamos juntos para melhorar e para lutar contra o crime”, precisou.
Por sua vez, o comandante do Grupo Operacional Cinotécnico (GOC), Ângelo Araújo, explicou à Lusa que este tipo de treinos consiste em preparar os cães das polÃcias portuguesas e neerlandesas, como também de outros paÃses que já realizaram exercÃcio em conjunto com a PSP, para estarem “melhor preparados para as ameaças terroristas que tem acontecido nos últimos anos”.
Destacando que as forças de segurança estão “cada vez mais preparadas”, o oficial da PSP destacou o facto de a polÃcia portuguesa ser procurada por outros paÃses para treinar os seus cães e desta preparação ser reconhecida internacionalmente: “Temos a sorte e o profissionalismo dos nossos colegas do Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo que, por força do conhecimento e do ‘know how’, têm conseguido reproduzir algumas destas ameaças. Temos a sorte de eles estarem connosco diariamente e prepararem-nos para ficarmos mais aptos à nossa missão”.
Segundo Ângelo Araújo, desde os ataques de Bruxelas, em 2016, que vários paÃses tiveram conhecimento do trabalho que a PSP desenvolvia, tendo desde aà feito parcerias com inúmeros paÃses, desde os PaÃses Baixos, Bélgica, Irlanda, França para treinos em conjunto com os agentes portugueses.
“Tivemos a sorte de ter alguns polÃcias com algumas capacitações também fora do comum, fora do âmbito apenas policial. Estamos a falar de explosivos caseiros, explosivos improvisados. Juntou-se aqui o útil ao agradável. Juntar a parte cinotécnica com a parte de inativação de explosivos e, portanto, fizemos esse casamento feliz no caso português e que tem sido reconhecido por outros paÃses”, sustentou.
Sobre o exercÃcio conjunto com a polÃcia dos PaÃses do Baixos, o oficial da PSP disse: “Estas três semanas são dedicadas a esta especialidade concreta, que é a deteção de engenhos explosivos sobretudo os explosivos improvisados”.
O comandante do GOC avançou que estes explosivos improvisados são substâncias muitas vezes utilizadas em atentados terroristas e “é nessas que Portugal tenta estar preparados e se possÃvel ainda mais à frente”.
A Lusa assistiu a um treino, na estação de comboio de Campolide, em Lisboa, em que as polÃcias dos dois paÃses tentaram “reproduzir um cenário real” que passou por “rastrear” um comboio onde estão ocultados algumas dessas substâncias explosivas. O objetivo é os ‘binómios cinotécnicos’ de Portugal e PaÃses Baixos localizarem os explosivos.
Ângelo Araújo frisou que “é um trabalho que só se aprende no terreno”.
“Não basta ler um livro, não basta falarmos. É preciso estarmos no terreno para recolhermos informação e, portanto, nós tentamos colocar cenários em teste aos nossos binómios cinotécnicos para que, dentro do conhecimento que têm, dentro do intercâmbio com os colegas neerlandeses, nós possamos desenvolver as nossas competências técnicas, não só do ponto de vista do cão, mas também do tratador”, disse ainda.
*** Célia Paulo (texto), Rui Pereira (vÃdeo) e António Cotrim (Foto) ***
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