
O inquérito anual sobre a utilização de bancos alimentares no Canadá, do Food Banks Canada, registou um marco sombrio, com o aumento da dependência canadiana deste serviço.
Os novos dados, divulgados a 28 de outubro, indicaram que o Canadá registou mais de dois milhões de visitas aos bancos alimentares em março de 2024, quase o dobro das visitas mensais de há cinco anos, em março de 2019, e 6% acima do valor recorde do ano passado.
O ‘HungerCount 2024’ revela que houve 2.059.636 visitas a bancos alimentares em todo o Canadá em março de 2024. Em 2019, o ‘HungerCount’ registou 1.086.280 visitas mensais. Não houve relatório em 2020, e as visitas mensais aumentaram 17% para 1.272.580 em 2021, 15% para 1.465.721 em 2022 e 32% para 1.935.911 em 2023.
O estudo apontou que a inflação acelerada, os custos de habitação e os apoios sociais insuficientes estão a gerar novos níveis de pobreza e insegurança alimentar, com uma procura acentuada por parte dos grupos raciais, pessoas com deficiência, recém-chegados ao Canadá e residentes no Norte do país, destacando-se uma necessidade “profundamente preocupante” entre os idosos e as famílias com crianças.
De acordo com o Food Banks Canada, os bancos alimentares estão a ser levados ao limite e os canadianos com baixos rendimentos precisam de ajuda imediata.
O relatório apelou aos governos para que introduzam medidas como o auxílio à renda e um pagamento mensal aos grupos de baixos rendimentos, para ajudar a compensar os custos da habitação e da alimentação.
Uma recomendação urgente foi a criação de “um subsídio para compras e bens essenciais”, que, segundo o Food Banks Canada, poderia ser implementado através de uma reformulação do atual crédito trimestral do imposto sobre o valor acrescentado (GST), atribuído aos canadianos de baixos rendimentos.
Embora as taxas de juro tenham descido e a inflação esteja a abrandar, o Food Banks Canada afirmou que o alívio económico ainda depende da descida dos preços e do aumento dos salários.



