
Porto, 27 out 2024 (Lusa) — A deputada do BE Marisa Matias considerou hoje que o Governo amarrou “com sucesso” o PS à proposta de Orçamento do Estado para 2025, que poderia ser viabilizado pela extrema-direita, com avisos para uma “rampa deslizante”.
“Com este Orçamento, o Governo procurou com sucesso amarrar o PS. E este é um orçamento que a extrema-direita poderia votar, mas é o PS quem vai viabilizar [através da abstenção]”, criticou Marisa Matias, que falava na 5.ª Conferência Nacional do BE, que termina hoje no Porto.
A dirigente bloquista acusou o executivo minoritário PSD/CDS-PP de absorver e normalizar a agenda e discurso da extrema-direita e aprofundar “a agenda conservadora”.
“A rampa deslizante só agora está a começar. O não é não, que seria a suposta barreira sanitária do Governo à extrema-direita, não é, nem nunca foi, por uma demarcação polÃtica ou ideológica, mas por mero taticismo. Uma disputa de poder não é necessariamente uma disputa polÃtica e este Governo demonstra-o”, advogou.
Na ótica de Marisa Matias, o Governo PSD/CDS-PP quer ocupar o espaço da extrema-direita pela forma como aborda temas como as migrações, direitos humanos, racismo, educação sexual, saúde reprodutiva, direito à morte assistida.
“Não existe nenhum campo em que o Governo não esteja a tentar entrar para fazer deles um campo de recuo”, avisou.
Neste contexto, Marisa Matias reclamou para o BE o papel da força polÃtica “que faz frente à extrema-direita e à s suas ideias, que combate o governo da direita e das contrarreformas e que é, como sempre foi, a alternativa ao rotativismo ao centro”.
Momentos depois, o antigo deputado José Manuel Pureza fez uma intervenção com fortes crÃticas ao Chega e à extrema-direita, utilizando uma frase de um general franquista, em 1936, “Viva a morte, abaixo a inteligência”.
Fazendo a ponte com os acontecimentos que levaram à morte de Odair Moniz, cidadão baleado por um agente da PSP esta semana, Pureza lembrou as declarações de dirigentes do Chega, nomeadamente do lÃder parlamentar, Pedro Pinto, que afirmou que se os polÃcias “disparassem mais a matar, o paÃs estava mais na ordem”.
“Como os republicanos espanhóis em 1936 contra Franco, aqui está hoje o Bloco a dizer que a inteligência é mais forte que todas as prepotências. Somos essa força da inteligência contra a barbárie. E fazemos desse combate o nosso combate”, defendeu.
Pureza deixou ainda avisos ao Governo liderado por LuÃs Montenegro.
“De cada vez que o Governo e a direita tradicional assumem as bandeiras da extrema-direita, a extrema-direita não fica com menos espaço. Pelo contrário, ganha espaço e ganha poder social. A esse bloco polÃtico das direitas, que tem como polÃtica o ‘cocktail’ de duas doses de liberalização, com duas doses de securitização, responde a esquerda com uma polÃtica de paz feita de justiça”, salientou.
ARLÂ // ACL
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