
Porto, 26 out 2024 (Lusa) — A coordenadora do BE acusou hoje a extrema-direita de querer fazer dos polÃcias “carne para canhão” e “montar-lhes uma armadilha para seu proveito eleitoral”, num discurso no qual afirmou que o partido “não vai descansar” enquanto não houver justiça.
“Sabemos o que quer a extrema-direita: quer fazer dos polÃcias carne para canhão, quer montar-lhes uma armadilha para seu proveito eleitoral”, acusou Mariana Mortágua.
A lÃder bloquista falava na abertura da 5.ª Conferência Nacional do partido, que arrancou hoje, no Porto, numa parte da sua intervenção dedicada à morte de Odair Moniz, no dia em que se realizam duas manifestações em Lisboa: uma para reclamar justiça pela morte do homem baleado por um agente da PSP e um protesto do Chega “em defesa da polÃcia”.
“Os polÃticos da extrema-direita incitam a polÃcia a disparar para matar, querem transformar agentes em criminosos enquanto se sentam confortavelmente no parlamento e nos estúdios de televisão a criar a sua farsa. Não serão ouvidos, essa ameaça mortal não é a segurança em democracia”, defendeu.
A coordenadora bloquista afirmou que “Odair Moniz foi morto e não mereceu ainda o respeito da verdade”: “era um carro roubado, mentira; tinha uma faca na mão, mentira”.
“Passou um traço contÃnuo, foi morto, aconteceu o que nunca podia ter acontecido. Não descansamos enquanto não houver justiça”, sublinhou.
Mariana Mortágua justificou a posição do partido face aos recentes acontecimentos na Grande Lisboa, afirmando que “o antirracismo está inscrito no código genético” do BE.
“Querem saber porque reagimos sem hesitações à s provocações da direita? Querem saber porque é que não encontrarão aqui o cálculo polÃtico de quem se acobarda nos momentos definidores da nossa democracia? Porque essa é a nossa identidade. O antirracismo está inscrito no nosso código genético. Ninguém pode ser tratado como mercadoria porque somos todos a mesma gente, somos todos a nossa gente, e todos queremos liberdade”, assinalou, num dos momentos mais aplaudidos da sua intervenção.
Mariana Mortágua considerou ainda que “ninguém em Portugal deve viver com medo” e que “o povo merece ser unido pelo respeito e viver em paz”.
Numa intervenção marcadamente ideológica, na qual começou por abordar vários conflitos militares mundiais e criticar o que definiu como a polÃtica do “capitalismo-guerra”, Mariana Mortágua afirmou que “o capitalismo que oprime é económico, é social e é cultural, e a luta pelo socialismo é liberdade e enfrenta-o em todas as suas dimensões”.
“É uma luta inteira, é uma forma de estar na vida. Foi isso que nos ergueu quando Odair Moniz foi assassinado”, afirmou.
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