
Beira, Moçambique, 22 out 2024 (Lusa) – Pelo menos 18 pessoas foram detidas em confrontos entre a polÃcia e manifestantes na cidade da Beira, centro de Moçambique, na segunda-feira, três das quais foram entretanto libertadas, anunciou hoje a corporação.
“Volvidas 24 horas das manifestações ocorridas um pouco por todo o paÃs, nós, a PolÃcia da República de Moçambique [PRM] em Sofala, tivemos o registo de 18 pessoas detidas em conexão com as manifestações”, disse o porta-voz da corporação naquela provÃncia, Dércio Chacate, em declarações aos jornalistas.
Acrescentou que, da triagem feita ao longo das detenções, a polÃcia constatou que três pessoas encontravam-se fora das manifestações e foram libertadas.
“Os outros 15 continuam detidos em conexão com estes atos de manifestações e vandalizações”, adiantou.
A polÃcia caracteriza os atos protagonizados pelos detidos como vandalismo: “Não se pode falar de manifestação o que aconteceu ontem [segunda-feira], mas um ato de vandalização e perturbação a ordem e segurança pública”, disse.
Pelo menos 30 pessoas foram detidas em confrontos entre a polÃcia e manifestantes na cidade de Maputo, cinco das quais libertadas após assistência da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), disse hoje à Lusa fonte daquela instituição.
Vitor da Fonseca, responsável pelo pelouro de assistência à justiça e dos direitos humanos no Conselho Provincial da OAM, disse à Lusa que a ordem tem, neste momento, o registo de “30 detenções ao nÃvel da cidade de Maputo, dos quais cinco já foram libertados e os demais os colegas ainda estão nos julgamentos”.
A PRM ainda não se pronunciou, até ao momento, sobre as detenções realizadas durante os confrontos com manifestantes em Maputo, na segunda-feira.
A Ordem dos Advogados de Moçambique disponibilizou na segunda-feira uma lista de contactos de profissionais da entidade para prestar assistência à s vÃtimas de detenções ilegais durante as manifestações de repúdio ao duplo homicÃdio de apoiantes de Venâncio Mondlane, convocadas pelo próprio candidato presidencial.
Segundo Vitor da Fonseca, a OAM aponta ter recebido pelo menos 100 ligações para pedidos de assistência em todo o paÃs relacionados com alegadas detenções durante as manifestações.
“Falam de crimes de motim, onde há agrupamento de pessoas com intuito de perpetuar um alto ilÃcito”, referiu o responsável, numa menção à s acusações que pesam sobre a maioria dos detidos.
A ordem recebeu um total de 29 pedidos de apoio na segunda-feira e uma hoje em resultado dos confrontos que fizeram também 16 feridos, cinco ainda internados, na capital moçambicana, segundo o Hospital Central de Maputo (HCM).
Na sexta-feira à noite foram mortos a tiro, em Maputo, Elvino Dias, advogado de Venâncio Mondlane, candidato às presidenciais do passado dia 09, e Paulo Guambe, mandatário do Podemos, partido que o apoia.
Após o duplo homicÃdio, Venâncio Mondlane, que contesta resultados preliminares das eleições, que não lhe dão a vitória, convocou a realização de marchas pacÃficas em Moçambique, na segunda-feira, que foram dispersas com tiros para o ar e gás lacrimogéneo em Maputo.
A resposta policial às manifestações foi condenada pela comunidade internacional e houve vários apelos à contenção de ambas as partes, nomeadamente de Portugal, da União Europeia e da União Africana.
A capital moçambicana tenta hoje retomar a normalidade, com transportes a funcionar e filas de trânsito nas principais ruas da cidade, sendo visÃvel o reforço policial após os violentos confrontos do dia anterior.
O candidato presidencial Venâncio Mondlane convocou hoje mais dois dias de paralisação e manifestação “pacÃfica” nacional em Moçambique a partir de quinta-feira, dia do anúncio dos resultados das eleições gerais pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).
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