
Londres, 18 out 2024 (Lusa) — Dez paÃses, entre os quais Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha, apelaram hoje à s duas partes em conflito no Sudão para que garantam o acesso humanitário a milhões de pessoas que necessitam de “assistência urgente”.
O Sudão é cenário desde 15 de abril de 2023 de uma guerra, que já custou dezenas de milhares de vidas, entre as paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa), lideradas pelo general Mohamed Hamdane Daglo, e o exército nacional, comandado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, o lÃder de facto do paÃs.
Cerca de 11,3 milhões de pessoas foram deslocadas, das quais quase 3 milhões fugiram do Sudão, segundo a agência da ONU para os refugiados (ACNUR), que descreveu a situação como uma “catástrofe” humanitária.
Cerca de 26 milhões de pessoas enfrentam uma grave insegurança alimentar, tendo sido declarada a fome no campo de Zamzam, no Darfur.
A “obstrução sistemática”, por ambas as partes, “dos esforços humanitários locais e internacionais está na origem desta fome”, afirmam os 10 paÃses numa declaração conjunta.
“Condenamos o facto de, apesar da urgência esmagadora, as Forças Armadas sudanesas e as RSF persistirem em obstruir a ajuda humanitária”, insistem na declaração, que foi também assinada pelo Comissário Europeu para a Gestão de Crises.
Os subscritores da declaração consideram necessário “um aumento imediato e coordenado da ajuda e um acesso humanitário total, seguro e sem obstáculos à s populações necessitadas”, sublinhando que os beligerantes “têm o dever de respeitar as suas obrigações ao abrigo do direito humanitário internacional”.
Os 10 paÃses apelam especificamente ao levantamento das restrições à passagem da fronteira com o Chade na cidade de Adre e à abertura de “todas as vias transfronteiriças possÃveis”, em conformidade com os compromissos assumidos pelas duas partes beligerantes.
Várias rondas de negociações não conseguiram pôr termo aos combates.
No final de agosto, na sequência de conversações organizadas pelos Estados Unidos na SuÃça, as duas partes comprometeram-se a garantir o acesso seguro e sem entraves do pessoal humanitário em duas rotas fundamentais.
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