
Genebra, SuÃça, 08 out 2024 (Lusa) — Um milhão de pessoas necessitam de assistência vital no LÃbano, cuja produção alimentar deverá diminuir significativamente devido aos bombardeamentos israelitas, alertou hoje a ONU, citando a destruição ou o abandono de terrenos agrÃcolas.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas tem fornecido diariamente 150.000 refeições quentes ou rações de cinco a 15 dias, dependendo da capacidade das pessoas para cozinhar, disse o diretor da agência para o LÃbano, Matthew Hollingworth.
“Mas isto precisa de ser aumentado. Temos de chegar, neste momento, a quase um milhão de pessoas por dia”, afirmou Hollingworth por teleconferência a partir de Beirute, segundo a agência espanhola EFE.
A agência pretende chegar a esse número de pessoas nos próximos três meses, embora tenha salientado que o orçamento para atingir o objetivo tem atualmente um défice de 115 milhões de dólares (mais de 104 milhões de euros, ao câmbio atual).
O fogo cruzado entre o grupo libanês Hezbollah e Israel, iniciado em 08 de outubro de 2023, evoluiu nas ultimas semanas para uma situação de guerra, com bombardeamentos constantes das forças israelitas, que também têm efetuado incursões terrestres.
Os ataques israelitas mataram dirigentes de topo do Hezbollah, incluindo o lÃder do grupo xiita pró-iraniano, Hassan Nasrallah, e provocaram a fuga de dezenas de milhares de pessoas, tanto para outras zonas do LÃbano como para a SÃria.
Hollingworth afirmou que existe uma profunda preocupação com a produção agrÃcola do paÃs, na sequência do incêndio de 1.900 hectares na região sul, junto à fronteira com Israel.
A agência da ONU também alertou para o abandono de outros 12.000 hectares localizados numa das zonas mais produtivas do LÃbano, porque as famÃlias que trabalhavam na terra foram deslocadas.
As terras afetadas eram, em grande parte, utilizadas para o cultivo de azeitonas, citrinos e frutas, culturas que não se realizarão e que levarão décadas a recuperar, especialmente no caso das azeitonas, disse o representante humanitário.
A situação é tanto mais preocupante quanto o LÃbano é um paÃs fortemente dependente da importação de alimentos.
O representante da ONU declarou estar chocado com o nÃvel e a rapidez da destruição no LÃbano, onde 1,2 milhões de pessoas foram afetadas e muitas cidades e vilas foram completamente esvaziadas dos habitantes e deixadas em ruÃnas.
Disse que foram criados 973 locais de abrigo em escolas e edifÃcios públicos em Beirute e no norte do paÃs, mas com mais de 200.000 pessoas registadas, a maioria já atingiu a capacidade máxima.
Quanto ao receio de que os ataques israelitas possam atingir o aeroporto de Beirute, Hollingworth destacou a importância da infraestrutura para as operações humanitárias e para a saÃda dos libaneses que pretendam abandonar o paÃs.
As consequências seriam imprevisÃveis num paÃs que não produz o suficiente para ser autossuficiente e que não dispõe de reservas para manter em funcionamento instalações vitais, como os hospitais, referiu.
A este respeito, apelou à preservação dos corredores aéreos e terrestres como vias de entrada para fornecimentos essenciais como combustÃvel, alimentos e produtos de saúde.
O Hezbollah iniciou ataques contra o norte de Israel a partir do sul do LÃbano em apoio ao Hamas, um dia depois de um ataque do grupo extremista palestriniano ter desencadeado uma ofensiva israelita Faixa de Gaza.
Desde então, o conflito matou dezenas de milhares de pessoas, maioritariamente em Gaza, cujas autoridades divulgaram hoje um balanço de cerca de 42.000 mortos.
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