
Lisboa, 26 set 2024 (Lusa) — O presidente do Chega admitiu hoje voltar a falar com o primeiro-ministro sobre o Orçamento para 2025 se as negociações com o secretário-geral do PS falharem, embora advertindo que não é “plano B de ninguém”.
Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, André Ventura considerou que o Governo PSD/CDS-PP “perdeu a oportunidade de ter uma maioria no parlamento” ao eleger o PS como interlocutor preferencial. E advogou que, se houver uma crise polÃtica, haverá dois responsáveis: LuÃs Montenegro e Pedro Nuno Santos.
Interrogado se está disponÃvel para voltar a conversar com LuÃs Montenegro sobre o Orçamento do Estado para 2025, o presidente do Chega disse que não tem marcada uma nova reunião com o primeiro-ministro, mas admitiu que esse diálogo poderá ocorrer caso Governo e PS não se entendam.
“Diria que, provavelmente, voltaremos a falar, como qualquer lÃder responsável de partido e como qualquer primeiro-ministro responsável. Isso quer dizer que o Chega mudará de posição ou terá um plano B? Não”, assegurou.
André Ventura acentuou que voltará a conversar com LuÃs Montenegro “sempre que for necessário”, alegando que nunca se furtou a falar com os titulares de cargos polÃticos. E, perante os jornalistas, até antecipou como poderá correr essa sua eventual conversa com o lÃder do executivo PSD/CDS-PP.
“Portanto, se amanhã [sexta-feira], a reunião com o PS não permitir uma viabilização do Orçamento, o provável é que haja uma nova reunião entre o Chega e o primeiro-ministro. Provavelmente essa reunião com o Chega será para dizer isto: LuÃs [Montenegro], o tempo acabou e acho que o relógio chegou ao seu ponto final”, referiu.
Nesse cenário de desacordo em torno do Orçamento, segundo André Ventura, “só há uma solução para isto – e todos sabem qual é essa solução, mesmo que não gostem”.
“Provavelmente essa última reunião [com Montenegro] será para o Chega lhe dizer isso mesmo”, declarou, numa alusão à possibilidade de uma nova crise polÃtica com eleições antecipadas.
André Ventura referiu-se também a uma mensagem que o lÃder parlamentar do PSD enviou aos seus deputados, dizendo que Hugo Soares lhes pediu então para não atacarem o PS nos próximos dias.
“O Governo perdeu uma incrÃvel oportunidade de ter uma maioria no parlamento, com estabilidade para o paÃs. Provavelmente, o paÃs caminha agora para uma crise polÃtica, com grande probabilidade. E ninguém sabe como acabará essa crise polÃtica”, avisou, antes de atacar Pedro Nuno Santos e LuÃs Montenegro.
“Pedro Nuno Santos será responsável pelo que for, mas haverá um responsável essa crise polÃtica, chama-se LuÃs Montenegro: O primeiro-ministro, que não quis nenhuma maioria, percebeu agora que o Governo não se sustém no parlamento sem uma maioria parlamentar. Percebeu tarde para alguém que tem a experiência parlamentar que LuÃs Montenegro tem”, criticou.
Neste ponto, no entanto, André Ventura adiantou que, até ao fim, irá acreditar “que vai haver algum jogo de bastidores entre PS e PSD que permita a viabilização”, do Orçamento.
“Se não for esse o caso, cá estaremos para assumir essas consequências polÃticas”, acrescentou.
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