
Nouméa, 29 ago 2024 (Lusa) – Um homem morreu hoje durante uma operação policial na Nova Caledónia, elevando para 12 o número de vÃtimas mortais desde o inÃcio dos distúrbios no arquipélago francês no PacÃfico do Sul, em maio.
A morte a tiro foi confirmada à agência de notÃcias France-Presse pelas autoridades locais, que não forneceram mais detalhes até ao momento.
O tiroteio mortal ocorreu perto da capital, Nouméa, no setor de Saint-Louis, um reduto do movimento pró-independência, onde a polÃcia realiza há várias semanas operações para tentar deter 11 pessoas acusadas de disparar contra as forças de segurança.
A morte causou confrontos, esta manhã (hora local), entre a população local e a polÃcia, que disparou gás lacrimogéneo.
Desde 13 de maio que a Nova Caledónia atravessa uma grave crise, com os protestos contra uma reforma eleitoral, entretanto retirada pelo Governo central francês a degenerarem em tumultos que destruÃram o tecido económico do arquipélago e causaram prejuÃzos de pelo menos dois mil milhões de euros.
Embora a tensão tenha diminuÃdo significativamente desde meados de julho, o sul de Grande Terre, a ilha principal do arquipélago, ainda é inacessÃvel por estrada.
A polÃcia bloqueou por completo seis quilómetros de estrada devido à insegurança que reina no setor de Saint-Louis. Apenas os serviços de emergência e ambulâncias podem atravessar a zona.
Em quatro meses, a polÃcia estimou ter sido alvo de mais de 300 tiros em Saint-Louis.
Devido ao encerramento da estrada, as 1.200 pessoas que vivem na zona só podem entrar e sair a pé e depois de apresentarem um documento de identidade aos agentes da polÃcia em passagens situadas no norte e sul da zona.
Em 29 de agosto, o movimento pró-independência da Nova Caledónia perdeu a presidência do Congresso, após Roch Wamytan, um polÃtico há muito no ativo, ter sido surpreendentemente derrotado por uma candidata de um pequeno partido.
O Congresso da Nova Caledónia, composto por 54 membros eleitos por cinco anos, é a assembleia deliberativa deste arquipélago de cerca de 270 mil habitantes, situado a 17 mil quilómetros de Paris e empenhado, desde 1998, num processo de emancipação da tutela francesa.
Esta assembleia elege o governo da ilha e aprova leis num vasto leque de domÃnios, incluindo a fiscalidade, a educação, a saúde, o ambiente e o direito do trabalho.
Roch Wamytan, de 73 anos, membro pró-independência da União Caledónia, tinha sido reeleito para a presidência todos os anos desde 2019. Mais uma vez, este ano, ficou bem à frente na primeira volta da votação.
Mas, na segunda volta, os candidatos não independentes transferiram os votos para a representante do partido Véu Oceânico Veylma Falaeo, levando-a à liderança do Congresso, com 28 votos em 54.
O partido foi criado em 2019 para defender os interesses dos 22 mil cidadãos naturais de Wallis e Futuna, outro território francês no PacÃfico.
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