
Los Angeles, 16 set 2024 (Lusa) – A atriz Candice Bergen, o ator John Leguizamo e o elenco da antiga série “Os Homens do Presidente” aproveitaram a 76ª edição dos prémios da Academia de Televisão para deixar mensagens polÃticas em ano de eleições nos Estados Unidos.Â
Candice Bergen ficou conhecida por protagonizar a série “Murphy Brown” nos anos 90 e fez uma referência velada ao candidato republicano a vice-presidente JD Vance, que tem criticado mulheres que têm gatos em vez de filhos. O conservador argumentou que quem não tem filhos deveria ter menos direitos polÃticos.Â
“A minha personagem foi atacada pelo vice-presidente Dan Quayle quando Murphy ficou grávida e decidiu criar o bebé como mãe solteira”, lembrou Bergen, agora com 78 anos, sobre a polémica que a série gerou.Â
“Como chegámos longe”, continuou. “Hoje, um candidato republicano a vice-presidente nunca atacaria uma mulher por ter filhos. O meu trabalho aqui está feito”, disse, terminando com “miau”.Â
A cerimónia também marcou uma reunião do elenco da série “The West Wing” (“Os Homens do Presidente” em Portugal), num cenário que serviu de réplica da Sala Oval.Â
A atriz Allison Janney disse que era “difÃcil de acreditar” que, há 25 anos, o criador Aaron Sorkin teve de usar a imaginação para criar narrativas interessantes para a série. Isso é em oposição ao que acontece hoje, respondeu o ator Richard Schiff, “em que as histórias podem ser tiradas diretamente das notÃcias, histórias que os argumentistas considerariam difÃceis de acreditar ou mesmo ridÃculas há 25 anos”.Â
Janel Moloney concretizou o paralelo entre a série e o que está a acontecer agora na polÃtica norte-americana. “O nosso cenário polÃtico mudou dramaticamente nos últimos anos”, afirmou a atriz, ressalvando que aquilo que continua a ser essencial é “a importância de toda a gente garantir que está recenseada para votar”.Â
Durante a cerimónia de entrega dos prémios da Academia de Televisão, também o ator colombiano John Leguizamo fez um discurso politizado, no qual chamou a indústria e os estúdios a aumentarem a diversidade em Hollywood.Â
Leguizamo fez menção à s crÃticas dos conservadores a iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), brincando que foi uma das “contratações DEI de Hollywood”.Â
Embora tenha reconhecido que há progresso a acontecer, Leguizamo notou que “não nos queixarmos não muda as coisas”.Â
“Precisamos de mais histórias de grupos excluÃdos. Negros, asiáticos, judeus, árabes, LGBTQ+ [sigla para lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e ‘queer’] e pessoas com deficiência”, urgiu Leguizamo. O ator salientou que a cerimónia desta madrugada tinha o grupo de nomeados mais diversos de sempre.Â
A 76ª edição dos Emmy fez mesmo história ao premiar como Melhor Série dramática a produção japonesa “Shogun”, a primeira vez que um trabalho de lÃngua não inglesa venceu a estatueta.
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