
Lisboa, 11 set 2024 (Lusa) — O médico que recusou liderar o INEM esclareceu hoje que nunca tomou posse como presidente do organismo, garantindo que não divulgou para a comunicação social a carta dirigida à ministra da Saúde e tornada pública.
Na comissão parlamentar da Saúde, onde foi ouvido, VÃtor Almeida, que saiu ao fim de uma semana após ter sido indicado pelo Governo no inÃcio de julho para liderar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), explicou aos deputados que a carta que enviou para o Ministério da Saúde saiu para a comunicação social 10 dias depois de ter sido nomeado para o cargo.
“Não foi por minha via [divulgação da carta], que fique muito bem claro”, precisou o clÃnico do quadro do Hospital de Viseu, afirmando que não é presidente demissionário do INEM, porque “nunca tomou posse”.
Na carta que enviou ao Ministério da Saúde e divulgada na altura na comunicação social, VÃtor Almeida afirmou que Portugal não tinha um plano B para a emergência médica, tendo sido essa a razão que o levou a não querer presidir ao organismo.
Vitor Almeida avisou também que o paÃs ficava sem socorro aéreo se o Tribunal de Contas chumbasse os ajustes diretos para os helicópteros, querendo por isso um compromisso por parte do Governo mas tal foi recusado.
“Houve condições que coloquei logo no inÃcio, mas eram condições que se podiam resolver, nomeadamente o vogal. Se tem dois vogais. Temos de ter o terceiro vogal, que é fundamental”, disse hoje o médico aos deputados, considerando que o INEM “precisa de força financeira”.
A pedido da Iniciativa Liberal (IL) e do Chega, o especialista em emergência falava no parlamento sobre “o atual contexto” do INEM e “a necessidade de assegurar a estabilidade e a confiança na gestão” no organismo.
Aos deputados, VÃtor Almeida disse que se manifestou “um bocado preocupado” com a situação dos ajustes diretos para a aquisição de helicópteros.
“A ministra foi sempre correta no trato e eu também fui correto com ela. E, portanto, sei também e estou convicto que não foi ela [que divulgou a carta]”, realçou, manifestando-se convicto que não foi a ministra que divulgou a missiva que explica a sua desistência do cargo.
VÃtor Almeida tinha sido nomeado no dia 04 de julho para a presidência do INEM, depois da demissão de Luis Meira na sequência da polémica com o concurso dos helicópteros de emergência médica.
Perante isso, foi nomeado o militar Sérgio Dias Janeiro, que dirigia o serviço de medicina interna do Hospital das Forças Armadas.
JML // CMP
Lusa/Fim



