
Maputo, 11 set 2024 (Lusa) — O comandante da força ruandesa que apoia Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado considerou hoje que MocÃmboa da Praia está sob controlo, semanas após operações intensas das forças governamentais contra grupos rebeldes em regiões vizinhas.
“Posso dizer que a situação está controlada e todas áreas da nossa atuação estão normais. As pessoas estão a movimentar-se normalmente nos últimos dias”, declarou à emissora pública de televisão Alex Kagame, a partir de MocÃmboa da Praia.
Desde o inÃcio de agosto, diferentes fontes no terreno, incluindo a força local, têm relatado confrontos intensos nas matas do posto administrativo de Mucojo, distrito de Macomia, a quase 100 quilómetros de MocÃmboa da Praia, envolvendo helicópteros, blindados e homens fortemente armados, com relatos de tiroteios em locais considerados como esconderijos destes grupos.
“Estamos a operar arduamente e conseguimos enfraquecer o inimigo. Conseguimos afugentar o inimigo das matas de Catupa, nas regiões de Massalo e Mucojo”, explicou o comandante da força ruandesa, admitindo, no entanto, que alguns deles permanecem naquelas áreas.
“Algumas operações ainda estão em curso, mas o que posso dizer é que a situação está controlada”, concluiu Alex Kagame.
A vila costeira, a sede do distrito, foi onde grupos armados protagonizaram o seu primeiro ataque em outubro de 2017, tendo sido, por muito tempo, descrita como a “base” dos rebeldes.
Após meses nas mãos de rebeldes, MocÃmboa da Praia foi saqueada e quase todas as infraestruturas públicas e privadas foram destruÃdas, bem como os sistemas de energia, água, comunicações e hospitais, tendo sido um dos pontos prioritários para recuperação de infraestruturas após os primeiros sinais de estabilização da segurança.
No total, na altura, as autoridades avançaram que cerca de 62 mil pessoas abandonaram a vila costeira devido ao conflito, com destaque para as fugas em massa que ocorreram após a intensificação das ações rebeldes em junho de 2020.
MocÃmboa da Praia está situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de exploração de gás natural, em Afungi, Palma, liderado pela TotalEnergies.
Desde outubro de 2017, a provÃncia de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
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