
Varsóvia, 30 ago 2024 (Lusa) – O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, apelou hoje a Kiev para a resolução das diferenças históricas que minam as relações entre os dois paÃses, ao mesmo tempo que reafirmou o apoio total ao seu vizinho na defesa da agressão russa.
Em conferência de imprensa, Tusk foi questionado sobre um recente apelo do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, em que sugeria que se deixasse “a história aos historiadores” e os dois paÃses construÃssem “o futuro juntos”, um apelo que provocou uma onda de comentários negativos na Polónia.
As relações entre Varsóvia e Kiev continuam marcadas por diferentes episódios da sua história comum, nomeadamente pelos massacres de cerca de cem mil civis polacos perpetrados por membros do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), entre 1943 e 1945 na VolÃnia, ou pelas deportações em 1947 para a Ucrânia.
“Se as nossas relações fossem dominadas pelas emoções, encontrar-nos-Ãamos numa situação em que a Rússia venceria”, disse Kuleba na quarta-feira durante um debate público com o chefe da diplomacia de Varsóvia, Radoslaw Sikorski, perante jovens na cidade polaca de Olsztyn .
Em reação, Tusk, historiador de formação, expressou hoje a sua “opinião inequÃvoca e negativa” sobre as declarações de Kuleba.
“A Ucrânia terá de responder à s expectativas da Polónia não enterrando a sua história, mas organizando as nossas relações com base na verdade sobre esta história”, declarou o chefe do governo polaco.
Tusk recordou que a possÃvel adesão da Ucrânia à União Europeia dependia, entre outras coisas, da resolução deste litÃgio histórico e da luz verde de Varsóvia.
“Penso que mais cedo ou mais tarde os próprios ucranianos chegarão à conclusão de que uma amizade polaco-ucraniana baseada na verdade histórica é, acima de tudo, do seu interesse”, disse Tusk.
No entanto, o primeiro-ministro polaco insistiu que as diferenças históricas não prejudicam de forma alguma o apoio da Polónia a Kiev.
“Apoiamos a Ucrânia de todas as formas possÃveis na sua guerra defensiva contra a agressão russa”, declarou a propósito da invasão lançada pela Rússia em fevereiro de 2022.
Desde então, a Polónia tem sido um dos principais parceiros de Kiev e o seu território recebeu acima de um milhão de refugiados ucranianos, sendo igualmente essencial para o fornecimento de armamento ocidental às tropas da Ucrânia.
As relações entre os dois paÃses foram, no entanto, perturbadas recentemente por fortes protestos de agricultores polacos, criticando benefÃcios europeus à exportação de cereais ucranianos.
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