
DÃli, 26 ago 2024 (Lusa) — O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse que a má nutrição no paÃs está relacionada com a pobreza, com a cultura e a educação e que esta é a sua principal bandeira porque as crianças são o futuro.
O problema da má nutrição está relacionado com a “pobreza, mas também com a questão cultural e educacional”, explicou o chefe de Estado timorense, numa entrevista a propósito dos 25 anos do referendo que levou à independência de Timor-Leste, que se assinalam em 30 de agosto.
Dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) indicam que cerca de 360.000 pessoas em Timor-Leste, com 1,3 milhões de habitantes, enfrentam nÃveis crÃticos de insegurança alimentar.
O Banco Mundial recomendou recentemente a Timor-Leste que aumente o investimento para reduzir a fome, a subnutrição e o atraso no crescimento infantil para melhorar o capital humano do paÃs e consequente desenvolvimento económico.
“Há muitas famÃlias com muitos animais domésticos, gado bovino, centenas de búfalos, de cabritos, porcos. Uma famÃlia mais educada, mais sensÃvel planearia para dar de comer à s crianças, à casa, regularmente com o que tem, mas muitos não o fazem”, disse José Ramos-Horta.
Por outro lado, segundo o prémio Nobel da Paz, “matam cinco ou 10 búfalos num casamento ou num funeral e depois passam meses sem comer um bocado de carne”.
José Ramos-Horta explicou que também há desconhecimento sobre nutrição e que no tempo da ocupação indonésia criaram o hábito de comer arroz, que é menos nutritivo que o milho, e as massas de 0,25 dólares que é só misturar água.
O Presidente lamentou também a falta de água potável para a população e de condições de higiene.
“Tudo isso leva a problemas de infeções nos intestinos e estômago”, disse.
Segundo o PAM, 47% das crianças menores de cinco anos sofrem de atraso no crescimento.
“É a minha campanha principal, porque é uma questão humana, ética e moral, mas não só, é o futuro do paÃs, essas crianças são o futuro do paÃs e têm de ser crianças sãs e bem-educadas”, salientou o chefe de Estado.
Questionado sobre quais as maiores conquistas do paÃs nos últimos 25 anos, José Ramos-Horta destacou a liberdade de imprensa e a democracia.
“Estas são as melhores conquistas”, disse, mas enumerou também a eletrificação do paÃs, a construção de estradas, a formação de médicos e enfermeiros, a formação de quadros, bem como o aumento da esperança média de vida.
Sobre a emigração dos jovens timorenses, o chefe de Estado disse que foi quem defendeu a saÃda daqueles jovens do paÃs, numa primeira fase para a Coreia do Sul e para a Austrália.
“Primeiro eu dizia, por favor ajudem-nos, não temos emprego, não temos economia, muita pobreza. Levou anos, mas lá consegui”, disse.
Atualmente, afirmou, os timorenses emigrados na Austrália, Coreia do Sul e Inglaterra enviaram 110 milhões de dólares (98,5 milhões de euros) para os seus familiares em Timor-Leste.
“Mas não é só o dinheiro, estão a ganhar algo, novas experiências, novos hábitos de trabalho”, sublinhou o chefe de Estado.
José Ramos-Horta considerou que “não há nada de negativo” na emigração e que o positivo é que os jovens que vão para fora mandam muito dinheiro para os seus familiares, afastando a possibilidade de défice de quadros.
“Daqui a uns anos eles voltam, quando o nosso paÃs está em construção e vamos precisar deles e alguns já voltaram”, salientou.
*** Isabel Marisa Serafim (texto e vÃdeo), Vera Magarreiro (texto) e Paulo Novais (fotos), da agência Lusa ***
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