
Maputo, 19 ago 2024 (Lusa) — O candidato presidencial moçambicano Venâncio Mondlane disse, em entrevista à Lusa, que o atual chefe de Estado deixa o paÃs numa “situação desastrosa”, após 10 anos de governação, considerando Filipe Nyusi o “único Presidente que nunca teve projeto”.
 “Deixa o paÃs numa situação desastrosa (…). Ele deixa atrás de si um rasto de destruição que não sei se há um outro Presidente que tenha feito o mesmo”, disse Venâncio Mondlane, candidato a Presidente de Moçambique nas eleições de 09 de outubro.
Para Mondlane, Filipe Nyusi deixa a Presidência “sem nenhum projeto em concreto” de governação, classificando-o também como o Presidente moçambicano que “se mostrou mais desadequado e despreparado para as suas funções”.
“É o único Presidente que nunca teve projeto. Cada um dos [antigos] presidentes teve projetos, discutÃveis ou não, mas este nunca teve projeto”, frisou o polÃtico, acrescentando que nos últimos dez anos Moçambique passou a constar da lista dos paÃses com a maior dÃvida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), com um dos mais altos Ãndices de desemprego e pior Ãndice de pobreza da história do paÃs.
“Antes de ele chegar ao poder, a incidência da pobreza estava abaixo de 50%. Hoje está em 67%, portanto, ele deixa 21 milhões de moçambicanos a viver abaixo da linha da pobreza”, referiu o candidato à Presidência moçambicana.
O polÃtico considerou ainda que Filipe Nyusi sai do poder com o “pior conflito de toda a história” de Moçambique a marcar a sua governação, numa menção aos ataques armados protagonizados por grupos insurgentes em Cabo Delgado, no norte do paÃs, desde 2017.
“É com este Presidente que se agravou um dos crimes mais horripilantes que este paÃs tem, que é o crime dos raptos e sequestros”, que afetam maioritariamente empresários e seus familiares, sendo a cidade de Maputo, capital moçambicana, a que regista mais casos, acrescentou Mondlane.
Moçambique realiza em 09 de outubro as eleições gerais, incluindo presidenciais, legislativas e provinciais.
Filipe Nyusi não vai concorrer no escrutÃnio por já ter atingido o limite constitucional de dois mandatos.
Além de Venâncio Mondlane, também concorrem ao cargo Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), Ossufo Momade, apoiado pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, maior partido da oposição), e Lutero Simango, apoiado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força parlamentar.
*** Serviços áudio e vÃdeo disponÃveis em www.lusa.pt ***
*** LuÃsa Nhantumbo (texto e fotos) e Estêvão Chavisso (vÃdeo) da agência Lusa ***
LN // VM
Lusa/Fim



