
Porto, 07 ago 2024 (Lusa) — Baixa literacia, inércia médica e regimes terapêuticos complexos são as principais causas do não controlo da hipertensão arterial, realidade que a Sociedade Europeia de Hipertensão quer alterar com dicas para médicos e doentes, descreveu hoje um dos autores.
“Há um mau controlo conhecido [da hipertensão arterial] em todo o mundo. Apesar de existirem ferramentas, há várias causas para não haver controlo adequado. Não adesão ao tratamento, baixa literacia, inércia médica e regimes terapêuticos complexos (…). Há 60% dos doentes que não estão controlados. Nas melhores estatÃsticas, a taxa de controlo é de 40%”, disse Jorge Polónia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Em declarações à agência Lusa, o professor português que é especialista nesta área e que faz parte do grupo europeu que tem vindo a publicar ‘guidelines’ sobre o tema, descreveu o que consta do novo plano europeu para melhorar os cuidados de saúde à s pessoas com hipertensão arterial, desenhado pela sociedade europeia.
“A ideia foi criar uma ‘guideline’ muito prática para facilitar a vida aos clÃnicos”, resumiu.
O plano, “muito dirigido aos médicos”, nomeadamente médicos de famÃlia e médicos que tratam a hipertensão, aconselha o reforço da relação entre profissionais, utilizando as novas tecnologias e apela a uma abordagem muito individualizada do indivÃduo idoso com mais de 80 anos.
“A grande maioria dos doentes hipertensos são doentes com idade avançada e essas pessoas são pessoas muito vulneráveis. A ideia é individualizar a terapêutica, tendo em conta a autonomia do doente, a sua fragilidade, a sua dependência e os nÃveis cognitivos”, referiu o também investigador do CINTESIS@RISE.
A hipertensão arterial é a principal causa de morte em todo o mundo. É um dos fatores de risco para Acidente Vascular Cerebral, entre outros.
Este plano foi publicado no European Journal of Internal Medicine.
Dados remetidos à Lusa pela FMUP dão conta de que com este plano “pretende-se ainda simplificar a prescrição, promover o acesso a estratégias de prevenção e tratamento e envolver os vários profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas, entre outros) no seguimento do doente”.
Jorge Polónia, que é especialista e consultor sénior de Hipertensão na Unidade de Hipertensão do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, é coautor das ‘guidelines’ da Sociedade Europeia de Hipertensão publicadas em 2013, 2018 e 2023.
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