
Lisboa, 05 ago 2024 (Lusa) — Uma emocionada PatrÃcia Sampaio afirmou no domingo que vive ainda “um turbilhão de emoções” na chegada a Lisboa, após a receção calorosa obtida na sequência da conquista do bronze em judo (-78kg) nos Jogos OlÃmpicos Paris2024.
“Agora ainda é um turbilhão de emoções que vai na minha cabeça e no coração. Uma pessoa treina muito para chegar a este momento, mas nunca nos preparamos para o que vem a seguir. Claramente não estava preparada para esta receção calorosa, mas ainda me estou a começar a habituar à ideia de que concretizei um sonho de criança”, expressou a judoca lusa aos jornalistas, no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
A Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, o seu clube de sempre, veio ‘em peso’ rumo à capital, vinda de Tomar, para acarinhar a medalhada olÃmpica, que não esperava esta receção “avassaladora”, que a deixa com imensa gratidão e que lhe “enche o coração”.
“Foi a minha primeira medalha nestes oito meses do ano e foi preciso muita coragem e resiliência para ‘bater na trave’ todas as vezes e, mesmo assim, continuar a acreditar e a trabalhar. Valeu muito a pena. Falhei várias medalhas, mas concretizei o meu sonho maior”, afirmou a judoca tomarense, de 25 anos, que já tinha estado em Tóquio2020.
O voo que trouxe PatrÃcia Sampaio aterrou à s 21:17, ainda três minutos antes da hora prevista, e apenas saiu do aeroporto por volta das 23:15, tal não foram os requisitos de fotografias e autógrafos, face à quantidade de familiares e amigos que a aguardavam.
“Acho que era notória a tranquilidade com que eu estava naquela semana, para quem me conhece bem. Sentia-me realmente muito tranquila, a aproveitar tudo o que havia para fazer e a desfrutar da Aldeia OlÃmpica. Eu não estava com aqueles nervos que por vezes tenho e que me congelam. Só queria aproveitar estar ali e estava extremamente feliz com a oportunidade que estava a ter”, contou sobre o estado de espÃrito em Paris.
PatrÃcia Sampaio fez um percurso quase imaculado durante toda a competição, apenas saindo derrotada nas meias-finais perante a italiana Alice Bellandi, que viria a sagrar-se campeã olÃmpica, superando até uma judoca francesa, com bastante apoio do público.
“Antes dos combates, à s vezes penso em coisas aleatórias, mesmo para conseguir fugir da questão dos nervos. Tentei ao máximo limpar a minha mente. Quando passávamos no corredor para entrar no combate, era um barulho ensurdecedor. Eu trabalhei muito para estar mentalmente preparada para isso, simplesmente conseguia fechar os olhos e parecia que abafava esse som. Imaginava só nas estratégias que tinha de ter”, frisou.
A judoca entrou para a ‘eternidade’ do desporto português, uma ideia que ainda não assimilou, pois é “um peso muito grande”, mas apontou que se vai “habituar à ideia”.
PatrÃcia Sampaio alcançou a 29.ª medalha olÃmpica do desporto português, a primeira na presente edição dos Jogos, sendo o quarto bronze do judo português no evento, após as medalhas de Nuno Delgado (Sydney2000, em -81 kg), Telma Monteiro (Rio2016, em -57 kg) e Jorge Fonseca (Tóquio2020, em -100 kg).
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