
Londres, 03 ago 2024 (Lusa) — A polÃcia do Reino Unido está a preparar-se hoje para mais violência durante o fim de semana, após nova noite de distúrbios provocados por manifestantes de extrema-direita.
Os confrontos de sexta-feira à noite levaram à hospitalização de quatro polÃcias durante um tenso confronto à porta de uma mesquita na cidade de Sunderland, no nordeste de Inglaterra.
Durante a violenta desordem de sexta-feira à noite, os manifestantes atiraram barris de cerveja, extintores de incêndio e pedras aos agentes da polÃcia. Um carro foi incendiado e uma esquadra da polÃcia foi atacada. Muitos dos envolvidos não eram da cidade e viajaram para causar o caos, segundo a polÃcia.
A violência em Sunderland, que levou à detenção de dez pessoas, é o mais recente surto de violência dos últimos dias e noites, que surgiram ostensivamente na sequência do esfaqueamento de segunda-feira numa aula de dança na cidade costeira de Southport, no noroeste do paÃs, que causou a morte de três raparigas e ferimentos em várias outras. Um jovem de 17 anos foi detido.
Os falsos rumores espalhados na Internet sobre a identidade do jovem, que é muçulmano e imigrante, alimentaram a ira dos apoiantes da extrema-direita.Â
Os suspeitos com menos de 18 anos não costumam ser identificados no Reino Unido, mas o juiz Andrew Menary ordenou que Axel Rudakubana, nascido no PaÃs de Gales e filho de pais ruandeses, fosse identificado, em parte para impedir a propagação de desinformação.
Numa conferência de imprensa realizada no sábado, após a limpeza, o superintendente-chefe da polÃcia de Northumbria, Mark Hall, descreveu os protestos violentos em Sunderland como “imperdoáveis” e que quatro polÃcias ficaram feridos, três dos quais em consequência direta dos distúrbios.Â
“No decurso da noite, os nossos agentes foram confrontados com nÃveis de violência graves e sustentados. Não se enganem, se estiveram envolvidos ontem à noite, esperem ser confrontados com toda a força da lei”, afirmou.
Durante o fim de semana são esperadas mais de duas dezena de protestos, incluindo em Belfast, Cardiff, Liverpool e Manchester.Â
Segundo a polÃcia, muitos estão a ser organizados ‘online’ por grupos obscuros de extrema-direita, que estão a mobilizar apoios com frases como “basta”, “salvem os nossos filhos” e “parem os barcos”.Â
Estão também previstos contraprotestos, com a organização Stand Up To Racism (Ergam-se Contra o Racismo) a manifestar-se contra a islamofobia e a extrema-direita.
No centro da cidade de Belfast já foram destacados agentes com equipamento antimotim e veÃculos da polÃcia formaram uma barreira entre uma manifestação antirracismo e os manifestantes anti-islâmicos. Foram lançados alguns fogos-de-artifÃcio no meio de uma troca tensa de palavras.
A polÃcia destacou mais agentes durante o fim de semana para todos os cantos do Reino Unido, disponibilizou mais celas de prisão e vai utilizar tecnologia de vigilância e de reconhecimento facial.
Hoje, na rede social X, a nova ministra do Interior, Yvette Cooper, afirmou que os criminosos que atacarem a polÃcia e fomentarem a desordem “pagarão o preço” das suas ações e que a polÃcia tem todo o apoio do Governo para “tomar as medidas mais enérgicas possÃveis”.
O ataque de segunda-feira a crianças numa aula de dança de verão com o tema ‘Taylor Swift’ chocou um paÃs onde o crime com facas é um problema antigo e preocupante, embora os esfaqueamentos em massa sejam raros.
Rudakubana foi acusado de homicÃdio pelo ataque que matou Alice Dasilva Aguiar, de 9 anos, Elsie Dot Stancombe, de 7, e Bebe King, de 6, e de 10 acusações de tentativa de homicÃdio pelas oito crianças e dois adultos que ficaram feridos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, atribuiu a violência ao “ódio de extrema-direita” e prometeu pôr fim ao caos, garantindo que a polÃcia de todo o Reino Unido receberia mais recursos para impedir “o colapso da lei e da ordem nas ruas”.
Numa conferência de imprensa na quinta-feira, Starmer afirmou que a violência nas ruas era “claramente motivada pelo ódio de extrema-direita”, enquanto anunciava um programa que permitia à polÃcia partilhar melhor as informações entre as agências e agir rapidamente para efetuar detenções.
“Isto é coordenado, isto é deliberado. Não se trata de um protesto que se tenha descontrolado. É um grupo de indivÃduos que está absolutamente inclinado para a violência”, frisou Starmer.
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