
Berlim, 29 jun 2024 (Lusa) — Uma aliança na Alemanha que junta advogados, assistentes sociais, ativistas, sindicalistas e membros da sociedade civil pede a proibição imediata do partido de extrema-direita AfD e as reações têm sido “avassaladoras”, revela à Lusa a porta-voz.
O Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) tem sido alvo de várias polémicas nos últimos meses que provocaram contestação. Uma investigação do consórcio de jornalistas “Correctiv” levou milhares de pessoas à s ruas de várias cidades alemãs em protesto contra o partido. Em causa estava um plano de deportações em massa de cidadãos estrangeiros e alemães “não assimilados”, discutido numa reunião em Potsdam. No encontro estariam presentes membros da AfD.
O novo movimento, intitulado “Proibição Imediata do AfD” (tradução livre), foi formado especificamente na sequência das conclusões deste encontro.
A campanha que pede a proibição do AfD vai estar presente este fim de semana para vários protestos em Essen, cidade que recebe, sábado e domingo, o congresso nacional do partido.
“É também o resultado da experiência de que os avisos, as ações e as manifestações contra o AfD nos últimos anos pouco resultaram. Ao mesmo tempo, o AfD tem vindo a transformar-se cada vez mais num partido dominado por forças fascistas de direita; as forças menos radicais têm-se afastado cada vez mais”, apontou Julia Dück em declarações à agência Lusa.
“Também devido à investigação do Correctiv, tornou-se mais uma vez mais claro que o AfD trabalha com forças radicais de direita e violentas (…) Temos de fazer algo contra este partido agora. Temos de proibir o partido, porque viola claramente a Lei Fundamental e atenta contra a dignidade humana”, continuou.
Apesar dos escândalos de envolvimento com a Rússia e a China por parte dos dois principais candidatos do AfD à s eleições europeias, o partido conseguiu ser o segundo mais votado, à frente das forças polÃticas que constituem o governo.
“O reforço cada vez mais visÃvel das forças de extrema-direita não é um fenómeno puramente alemão, mas também europeu. No entanto, a campanha não é uma reação à s eleições europeias (…) Os resultados das eleições europeias eram previsÃveis e constituem um aviso”, esclareceu a porta-voz desta aliança.
Julia Dück revela que, após o lançamento da campanha, há uma semana, têm recebido muitos contactos de pessoas interessadas em juntarem-se à causa.
“A nossa impressão é que a maioria das pessoas na Alemanha sente e percebe muito claramente o perigo que a AfD representa. O que é necessário é a coragem de lhe fazer frente e nós queremos canalizar isso com a campanha”, assume.
O movimento garante que vai estar presente nas manifestações e nos meios de comunicação, abordará os lÃderes polÃticos, e irá à s associações, clubes e organizações locais para fornecer informações e mobilizar o maior número de pessoas possÃvel.
“O objetivo é ‘desnormalizar’ as polÃticas racistas e nacionalistas do AfD e exercer pressão para que seja encontrada uma maioria no Bundestag (parlamento) para iniciar o processo de proibição”, destacou a porta-voz.
Â
JYD // PDF
Lusa/Fim



