
Lisboa, 08 jun 2024 (Lusa) — Dezenas de pessoas juntaram-se hoje em Lisboa para exigir o fim das mortes na Palestina e da energia fóssil até 2030, denunciando, na véspera das eleições europeias, a falta de resposta das instituições da Europa a estas crises.
Convocada pelo movimento “Fim ao GenocÃdio, fim ao fóssil”, a marcha “Unidas contra o Colapso” estava marcada para começar à s 15:00, mas arrancou cerca de uma hora mais tarde do jardim do PrÃncipe Real para rumar até ao gabinete de representação do parlamento europeu em Lisboa, a aproximadamente um quilómetro de distância.
“Estamos aqui no contexto das eleições europeias para dizer que as instituições estão a falhar em dar resposta a estas duas crises: ao genocÃdio que está a acontecer e à crise climática. Estas eleições dão o mandato no qual será necessário pôr fim a este genocÃdio e que permite que a transição seja feita e resolver a crise climática nos prazos que a ciência nos dá. Não existem neste momento planos para isso acontecer”, disse Joana Fraga, uma das porta-vozes da iniciativa.
Sublinhando que é preciso acabar com o “conforto” das instituições europeias relativamente ao conflito em Gaza e ao combate à crise climática, Joana Fraga rebateu também a ideia de que a União Europeia seja um dos pontos do mundo onde o cumprimento de metas para a transição climática esteja mais avançado.
“Não sei onde estamos a contribuir ativamente para essa transição, quando somos dos paÃses que estamos a explorar o sul global para perpetuar e acentuar esta crise”, indicou, sem deixar de notar que os ativistas vão continuar a manifestar-se “enquanto durar o genocÃdio e o escalamento da crise climática”.
Já José Borges, outro dos porta-vozes do movimento, salientou a necessidade desta iniciativa para dar visibilidade ao que considerou ser as “medidas insuficientes” da União Europeia para a questão do clima e de Gaza.
“Estes dois problemas são sintomas da mesma doença: o imperialismo. Se por alguma razão se permite que haja um genocÃdio e bombardeiem escolas e pessoal não militar, é também porque existe um sistema que permite que se ponha o lucro à frente da vida das pessoas e isso também é evidenciado na crise climática”, observou, preconizando o fim dos combustÃveis fósseis até ao final desta década e “um boicote” da Europa a Israel.
Controlado de perto por um dispositivo policial desde o inÃcio ao fim do percurso, o movimento agregou representantes de diferentes grupos de ativistas climáticos, como Mariana Rodrigues, do grupo Climáximo, que justificou a ligação da luta contra as alterações climáticas ao conflito israelo-palestiniano.
“Não são causas separadas. Por um lado, a crise climática é o contexto atual, a própria guerra e o genocÃdio na Palestina está a acontecer no meio da crise climática. Neste momento, a Palestina é uma das áreas que mais está a sofrer com as alterações climáticas e o pouco acesso à água. O que está a causar a crise climática e o genocÃdio na Palestina está interligado: colocar o lucro acima da vida e das pessoas”, afirmou à Lusa a ativista.
Mariana Rodrigues lembrou igualmente que as eleições para o parlamento europeu preveem um mandato dos futuros eurodeputados até 2029, um perÃodo que coincide com um dos objetivos destes ativistas: o fim do uso de energia fóssil até 2030.
“É o último mandato para parar o colapso climático. Sabemos que nenhum dos partidos está a apresentar planos compatÃveis com a crise climática e nesse sentido sabemos que têm de ser as pessoas unidas a atuarem. Vamos garantir que esse é um processo com justiça social, porque sabemos que os governos e as empresas estão ativamente a não o fazer”, frisou.
A marcha terminaria perto das 18:00, já depois de alguns incidentes junto do edifÃcio do gabinete de representação do parlamento europeu em Lisboa, que acabou atingido com balões de tinta e latas de fumo.
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