
Nova Iorque, 17 mai 2024 (Lusa) – O secretário-geral das Nações Unidas elogiou hoje a decisão do FMI de permitir a alocação, pelos Estados membros, dos Direitos Especiais de Saque, afirmando que pode desbloquear 80 mil milhões de dólares em ajuda ao desenvolvimento.
“Esta é uma etapa importante e inovadora para a expansão do financiamento para o desenvolvimento sustentável”, comentou António Guterres, citado num comunicado de imprensa hoje divulgado pela ONU sobre a decisão do Fundo Monetário Internacional (FMI) de permitir a utilização deste capital, conhecido pela sigla inglesa SDR.
Em causa está a possibilidade de os bancos vocacionados para financiar o desenvolvimento poderem receber dos Estados membros do FMI as verbas que não estão a ser usadas desde a alocação de 650 mil milhões de dólares, cerca de 597 mil milhões de euros, feita no seguimento da pandemia da covid-19, que poderão agora transformar-se em até 80 mil milhões de dólares, ou 73,5 mil milhões de euros, segundo a ONU.
Estas verbas, que resultam de uma alocação de ‘novo capital’ do FMI que foi distribuÃdo pelos paÃses membros do fundo consoante a sua quota, acabaram por beneficiar os paÃses mais ricos, já que têm uma quota maior no Fundo.
O que a administração do FMI agora decidiu é que, do ponto de vista contabilÃstico, essas verbas possam ser canalizadas para bancos de desenvolvimento ou outros detentores prescritos de SDR e, ao mesmo tempo, manterem-se contabilizadas nas contas desses paÃses.
“Este tipo de capital é um recurso financeiro com maturidade perpétua que possui caracterÃsticas tanto de capital, como de dÃvida”, explica-se no comunicado da ONU, que dá conta que a iniciativa do FMI “pode desbloquear imediatamente até 80 mil milhões de dólares em recursos extremamente necessários para os paÃses em desenvolvimento, incluindo ajuda para enfrentar a crise climática”.
No comunicado, Guterres apela aos paÃses que não estão a usar esses SDR para os redirecionarem para bancos multilaterais de desenvolvimento, que os vão comprar e depois alavancar no mercado financeiro para aumentar os empréstimos concessionais aos Estados mais pobres.
MBA // MLL
Lusa/Fim



