
Ponta Delgada, Açores, 17 mai 2024 (Lusa) – O Chega defendeu hoje o cancelamento das comemorações do Dia dos Açores e do debate na Assembleia Regional, na Horta, do Orçamento para 2024, para evitar que doentes deslocados de São Miguel abandonem os hotéis onde estão instalados.
O lÃder do Chega/Açores, José Pacheco, disse hoje em conferência de imprensa que o partido foi surpreendido com a notÃcia de que os doentes deslocados na ilha do Faial devido ao incêndio no Hospital do Divino EspÃrito Santos (HDES), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, estão a ser retirados dos hotéis para “se poder alojar os polÃticos que vão estar no Dia dos Açores, assim como também [os que participam] na discussão do Orçamento” no parlamento açoriano.
“Isto é grave demais e ridÃculo demais para ser verdade”, afirmou o dirigente e lÃder parlamentar do Chega açoriano.
Na opinião de José Pacheco, “a solução é muito simples”: “Não temos alojamento, cancelamos o Dia dos Açores [agendado para segunda-feira, na Horta), cancelamos o Orçamento [que vai ser discutido no parlamento regional, que também funciona na cidade da Horta, entre terça-feira e sexta-feira]. Adiamos, fazemos noutro dia”.
“Os Açores sobreviveram até agora sem Orçamento, podem sobreviver mais uma semana, quinze dias, um mês. (…) Não morre ninguém por não haver Orçamento. E não morre ninguém se não se fizer o Dia dos Açores na Assembleia, na segunda-feira”, defendeu.
O lÃder do Chega/Açores considera que, com esta decisão, o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) “falhou redondamente” e de uma forma “incompetente e negligente”.
“Não se tratam pessoas doentes desta forma. O Chega não se revê nisto, o Chega acha que isto é uma vergonha”, considerou.
Explicou ainda que dada a situação, o partido que lidera “já cancelou o seu hotel” na Horta.
“Somos sete pessoas que vamos para a ilha do Pico, por opção própria, pago por nós, para que não estejamos a ocupar sete quartos de hotel que podem muito bem ser atribuÃdos a estes doentes. Eu desafio os outros partidos e o Governo Regional a terem a mesma atitude que nós tivemos”, declarou.
Para o Chega açoriano, houve “uma negligência muito grande” do executivo de coligação em relação ao assunto: “E isto é inaceitável. Não se tratam as pessoas assim”.
Os utentes da ilha de São Miguel que se encontram no Faial a fazer hemodiálise, devido ao incêndio no HDES, vão ser realojados por falta de disponibilidade dos hotéis onde foram inicialmente acolhidos, explicou hoje a secretária regional da Saúde.
“Quando os hotéis foram contactados para receber estes utentes não houve qualquer tipo de hesitação. Contudo, atendendo à s festividades da próxima semana, não há disponibilidade dos hotéis, que já tinham compromissos assumidos e, claro, que a nossa preocupação foi continuar a acautelar uma resposta social de alojamento, alimentação e pagamento de diárias a estes utentes, de forma digna”, afirmou, em declarações à Lusa, Mónica Seidi.
Em causa estão 31 utentes, que foram transferidos para a ilha do Faial para continuar os tratamentos de hemodiálise.
Parte dos doentes ficará alojada no centro de estágios do Serviço de Desporto do Faial e os restantes “serão distribuÃdos por uma residencial, uma hospedaria e apartamentos que são designados por apartamentos militares”.
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